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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João, 869,  14882-010 Jaboticabal SP
O FILME LULA, DE FELLINI. Apagou-se as luzes. Um alguém poderia apontar, como uma cena de um filme de Fellini: “Ainda há uma luz mínima”. E outro personagem - também otimista - ao lado: “sim, são as instituições afastadas”. Se não estamos mais no mar morto, estamos onde? Antes a pergunta era: será que estamos numa nau, ante um projeto de zona? (Um dia, tive esse pesadelo, mas agora sei que não está distante de acontecer.) *Personagem - homem aposentado com chapéu preto. “...estou ouvindo um som, como se estivesse um motor a roncar, será que se deve ao meu esgotamento mental? Talvez não.., não é um monstro da fome, não viram o mapa da fome do país... é bem... bem lá atrás e parece vir de um fundão. Eu falo com quem? Alguém tirou a tampa do ralo? Se não vamos decolar então vamos descer, sugados? (Nada tirava da cabeça dele o voo da galinha estampada na capa da revista The Economist, anos atrás). Alguma mão do tempo virou o pote, aquele relógio de areia fina, lembrei - ampulheta, somos grãos?; ou nada do que disseram os especialistas se compara ou nem chega perto do que está acontecendo agora; de sermos sugados, uma descarga brusca em todos, sem escapatória e sem perdão?... O que será de mim? Nós, aqui, que estamos a bordo, será que apenas eu sinto quase sempre essa presença do barco virar, e que temos de nos agarrar então a camisa deles, e que seus seguidores nos salvem deste corgo fétido e que nos deem botes salva vidas em formas de boias laranjas?” Havia um enorme cano pvc branco espetando o mar, o homem logo pensou “há um canudinho, para que boia”? Nada era fixo e garantido, as raízes frouxas ainda bailavam como cabelos soltos ao vento ou como tentáculos de polvo num fundo de nada. A retórica acadêmica dos astronautas do mundo da Lua, vinda de cima, era forte e também escudo não reflexivo contra interlocutores desconfiados e que buscavam no mínimo uma evidencia de verdade. “Tudo está sendo tragado com esse tubo mar adentro, roubaram até a lógica não é Gabeira.., Ga-beira... cadê você... ( o homem já falava sozinho, seu esgotamento mental diminuía, quando recordará que tinha lido e gravado um artigo dele em sua cabeça, antes de estar ali, e que dizia sobre o fim da lógica das coisas políticas, ficara assustado, por isso achava que o Gabeira estava também no caldo) com quem eu falo... agarremo-nos a que? Remar para que?... as boias pneumáticas distanciam-se como se pernas e dentes lhes brotassem e lhes fizessem fugir como seres sem freios, rindo de mim”... Todos fogem e se deixam ser levados sem saber para onde... os que pareciam aceitar esse triste destino tinha a feição de seguidores fundamentalistas de alá, os punhos para cima, ao deus-Lula. O homem via o tal “Homem” agora, com sua barbinha rala e grisalha. Não havia meia ou mais palavras, o giro-efeito provocava em volta um guisado passado do ponto e a olho nu, desfazendo e desmanchando antes uma pintura de identidade diversificada e multicultural em meio agora ao caldo “desculturalizador” e bicolor, fazendo-o compreender de vez uma engraçada frase que certa vez ouviu de um jovem, de que correndo todo mundo é igual, e que filme catástrofe americano também... verossimilhança atinada por produtores abençoados – pensou, antes de partir. Não sabia se agia sem pensar ou permanecia pensando sem agir; a sua vez estava para chegar... parecia ser em instantes. Faltava só um pouco, o lulopetismo não perdoa nem o restinho que o homem se agarrava, parecia querer sugar gulosamente todos e a si mesmo com sua sede de anos... o resto é o A-VE- SSOOO..................................................................... O copo cai num som oco numa mesa do nada ao lado do canudinho, ambos boiam lentamente na atmosfera límpida e branca. O homem compreendeu que o som que ouvirá desde início e que se assemelhava a um motor, era na verdade um prolongado pigarro de satisfação que saia da garganta de Lula vazando pela narina. Lula se levanta da mesa, amassa o guardanapo e arremessa- o no lixo. Um companheiro lhe bate nas costas com a mão e dá-lhe as boas vindas, diz que a cesta que fez era sinal de sua elegibilidade para as eleições de 2022.
FATOS & IDEIAS COM pedro bueno
Pedro Bueno Nascido em Barretos, Pedro Bueno é um romancista ainda sem cria, e afinado cronista da vida em São Paulo, onde segundo ele, sobrevive. Escreve para revista virtual Contos & Letras, tendo uma coluna intitulada de ‘O golpe da língua’, onde fala de literatura. Apegado a memória e ao cinema, transcreve tudo para seu computador, seu mais íntimo confidente das palavras. Já se aventurou pelo teatro, e segundo ele, o que o estraga e o fez sair, foi um culto a coletivização das funções de cada, onde o trabalho de autor é deixado de lado
EDIÇÃO DE 22/10/2019 Crônica fotos EBC