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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João, 869,  14882-010 Jaboticabal SP
 O Eterno Ingrato Muro. Lembro da frase de meu professor: ser colosso é uma virtude. Esse João Doria se mostra ainda muito bonzinho, tenho medo de que ele vá adquirindo o tal ‘sotaque dirigista’ (com todo respeito ao senhor Roberto Campos) que o Mister Fields via no Fernando Henrique. Enquanto na época de Collor os seus assessores o alertavam com o detalhe do nó da gravata, para algum efeito (que desconheço) no eleitor comum, Doria já começou por agradar em sua campanha pelo seu ‘Cloths’ moderado, pouco moderno, e com a frase manjada, mas que pegou nos eleitores, do ‘não sou político, sou um gestor’. Doria esqueceu que a política nos enquadra e cobra posição, infelizmente. Não tem por onde fugir. Mas não devemos nos esquecer que a política não é a coisa mais importante. Parece que o sujeito hoje em dia se dá por elevado quando se percebe fazendo politica o tempo todo. Que é nada mais do que falar e falar pelos cotovelos. Millor Fernandes talvez tivesse uma frase boa para esse distúrbio. Para mim ‘política o tempo todo’ é coisa de taxista. E esses episódios das pichações, que lamentável perca de tempo, essa cidade já era cinza e gris antes mesmo de existir esses rabiscos piores do que Basquiat. Se não existisse o cinza, como o pobre e jovem paulistano, já sem assunto, iria reclamar? Daí proliferaram esse colorido até que bacana pela mistura das cores, mas que é feio na sua forma e em seu todo, resumo de arte feia e ruim. Quando adolescente já fui um pichador amador, desses bem ruins, da noite. Tinha-se uma rua na minha querida cidade de Barretos, onde eu e um amigo (até hoje, fazemos uma dinâmica dupla com diversos assuntos) sabíamos que os carros estacionavam lá para um tipo de drive-in inventado pelos casais. Pichamos uma seta apontando o local e na frente escrevemos “puteiro”. Para tomarmos coragem e fazer isso, passamos por todo um laboratório, enquanto um executava o outro olhava para ver se não aparecia a temida polícia. Acho que amador é até demais para nós. O dia que nunca irei me esquecer, foi com um amigo ateu (o primeiro e único da nossa turma). Após a saída da escola, avistamos a Igreja de São Luiz Gonzaga, o amigo lançou o spray e a frase veio em sua cabeça, como quem fosse compor um rock começando pelo título: ‘Deus envia miséria’. Dei a cobertura e ele executou a frase na lateral de igreja, isso em plena luz do dia. Ninguém viu. Passou-se o tempo, comentei do episódio com ele por telefone, disse- me que depois de anos, a frase ainda permanecia lá, intacta. Um dia lhe veio o arrependimento na alma, saiu de casa com uma lata de tinta amarela, e na mesma luz do dia, cobriu a frase. Hoje em dia, Nicholas está mais para gnóstico, creio eu. Recordando desse episódio, me arrependo. Voltando aos pichadores, vendo esses dias uma entrevista com os ‘artistas de rua’, um deles disse que o muro é uma provocação a eles, e a coisa vai ficando tão ruim que tive desanimo de recorrer ao mesmo vídeo para ouvi-lo recitar mais argumentos em defesa da feiura, e transpor aqui. Um colega de trabalho me disse que um amigo seu que acabou de voltar da Alemanha, lhe contou que lá eles vendem pedaços do histórico muro de Berlim, como lembrança. Será que esses ‘artistas’ também pichariam esse pedaço de história se ganhassem um? Como a mídia ainda da bola para esses caras? O nível da Globo caiu mesmo, e onde já se viu, esses caras darem bola para mídia, que dizem tanto odiar --- e a câmera, não é provocação? Se o grupo Racionais que faziam pose de maus e anticapitalistas deram a cara se vendendo, eles devem pensar, “por que nós não podemos? ” E aliás, quando o Chico Buarque irá surgir em outro especial Roberto Carlos na mesma Globo, pergunto eu? Vejo que hoje, outsider mesmo era o escritor Henry Miller. Lembro do nosso, Nelson Rodrigues, em seu Óbvio Ululante, nos idos dos anos sessenta, fala que os ‘incríveis’ jovens pichavam nos muros um: “ Viva Cuba”. Exaltar o Brasil sempre foi sinônimo de reacionarismo nesse país. E cuidar também. Tenho uma confissão: tenho um intimo desejo de pichar o muro dos ‘coreanos’ do PC do B, aqui no centro de São Paulo. Para quem estiver interessado, deixo aqui o endereço:  R. Rêgo Freitas, 192 - República, São Paulo - SP, 01223-000.
Pedro Bueno Nascido em Barretos, Pedro Bueno é um romancista ainda sem cria, e afinado cronista da vida em São Paulo, onde segundo ele, sobrevive. Escreve para revista virtual Contos & Letras, tendo uma coluna intitulada de ‘O golpe da língua’, onde fala de literatura. Apegado a memória e ao cinema, transcreve tudo para seu computador, seu mais íntimo confidente das palavras. Já se aventurou pelo teatro, e segundo ele, o que o estraga e o fez sair, foi um culto a coletivização das funções de cada, onde o trabalho de autor é deixado de lado
FATOS & IDEIAS COM pedro bueno