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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João, 869,  14882-010 Jaboticabal SP
A luz, mínima. Por Pedro Bueno Gozado, mesmo após a saída da desastrada ‘presidenta’ Dilma, ainda imagino o pais assim, visto de cima, por isso pensei em como começar esse artigo, vindo-me a mesma imagem de quando escrevi-o pela primeira vez, de uma taça vazia com um canudo com listras transversais em branco e vermelho, lembrando-me da cena que abre o livro “O Beijo não vem da boca”, do boa praça escritor Ignácio de Loyola Brandão, em que o personagem principal do romance está dentro do avião, partindo para Alemanha e vendo o Brasil se derretendo em uma calda quente que deixaria por dois anos. Depois penso que, mais do que um milk-shake, o pais é ainda a mesma banana-split com todas as mazelas e melados de erros possíveis e- vícios nacionais não exportados. Assim, coisa nossa, mesmo. Temos ainda as duas farturas essências em nossas cabeças, cansamos de saber do tudo de bom e do melhor: clima favorável, matas verdes e límpido céu azul; e também, o pior, mas excepcional, porque devemos reconhecer os escusos interesses e o descaso todo em geral da vida política. Também coisa muito nossa essa chanchada. Falemos daquelas misturas cinzentas agora, não tão deixado de lado assim, devido a lava jato e outras ainda em banho maria, além do tão sabido dois brasis auriverdes, sempre sendo dividido entre luxo e miséria nas cabeças, e que deve ser mais desbravado por quem segue e acompanha política. Pois ainda tem e existe uma raça de cretinos políticos, de sangue cada vez mais quente e coração mais frio, surgido da fenda de alguma espécie de ‘ostra rustica’, que se pariu antes da perola democrática e propagou um mal que rasgou a nossa realidade simplista do dia a dia, da qual essas crias gatunas que o Lula apadrinhou, sempre obreiras de si mesmas, promoveram e operaram, transformando o nosso simplismo real e corriqueiro em ‘geleia do dia a dia’, sem seus seguidores e simpatizantes se darem conta do efeito dessa gravidade. O seu clarão obvio hoje ressoa (e está dentro), como um flash, e pelo visto, foi apenas captado na lente de uma câmera que já tinha sua luz própria, lá atrás, num remoto filme de cinema novo (e hoje tenho certeza que o filme é e sempre irá ser, Terra em Transe), e não em alguma nova cabeça que se deslumbra com textos de Vladimir Safatle e sites que se dizem de ‘política apartidária’, que mais é fofoca acadêmica, como o Pragmatismo Político, que se puder, é até capaz de criar movimento em prol dos porteiros. (Procurem lá algo envolvendo a atriz Danuza Leão (goo.gl/yC4WK0). Nunca vou me esquecer da seguinte frase de um senhor colega de trabalho, que me confidenciava ‘corrupções atualizadas’: “O Brasil é um herói; com tanta corrupção, ainda consegue ser a sétima economia”. Com a internet e seus militantes em fúria, eu sei que o povo agora sabe muito mais sobre tudo, e, por incrível que pareça, até aquelas coisas em valor de pequenas, e de curto ou médio prazo, estamos conseguindo ou estão surgindo e clareando num horizonte possível. Mas ainda haverá muitos jovens com medo de mudar de opinião, por uma camisa de força que nem sequer sabem como vestiram, e outra parcela, que mesmo sabendo de onde bebeu e consumiu sua agua, não irá se deixa molhar nem mudar de forma, ou fonte, por vaidade, que eu chamo, como o crítico de cinema Ismail Xavier, de resistência da ‘mentalidade-obstáculo’, que é essa barreira contra tudo o que for ameaça a um pensamento ultrapassado, em defesa de partidos de pensamento uno, e claro, de esquerda. Ninguém deles enxerga ou não querem ver mesmo que esse mal difuso tomou forma incorporada numa figura de lá de traz. Um ser hoje que não está tão dormente e tranquilo, e que cairia bem nesses líquidos de que falo, bem lá num fundo de um mar. Imagino que com ele foi plantado a adoração e cultivado um chão de pequenas mudas, que lhe garantirão, quem sabe, a volta ao poder (já na cara para 2018, porque não, e olha que não falo de zebra), dando todo suporte em sua espera, e com seus ‘frutos-filhos-fieis’ dos movimentos sociais e estudantis mais imbecis, fazendo a eterna sombra feita de burrice e dialética manjada. Pois o mal é sempre mais ativo de que o bem. Segundo meu querido professor de História. Tinha (e ainda tenho) a impressão de que fora suplantado e apagado uma noção do tudo, pelas ações e deturpações em cima do que se foi trabalhado mesmo pelo resultado da lentidão que a democracia exige, das coisas púbicas conseguirem ser, e construído como ainda pequeno e promissor, na era FHC , e que talvez tudo já estivesse sido perdido, quando ainda o reinado PT continuasse em atividade. E que talvez no futuro, tudo em volta, fosse um grande nada de obras inacabadas, restando-nos apenas uma herança e legado de não projeto. Isso sim, ficou: a herança maldita de Lula e Dilma. Apagou-se as luzes. Um alguém poderia apontar, como cena de filme de Fellini:  “Ainda há luz mínima”. E outro personagem ao lado: “sim, são as instituições afastadas”. Se não estamos mais no mar morto, onde estamos? Antes a pergunta era: será que estamos numa nau, diante da zorra bolivariana em marcha? Um dia, tive esse pesadelo, mas agora, sei que está distante de acontecer. Tomara.
Pedro Bueno Nascido em Barretos, Pedro Bueno é um romancista ainda sem cria, e afinado cronista da vida em São Paulo, onde segundo ele, sobrevive. Escreve para revista virtual Contos & Letras, tendo uma coluna intitulada de ‘O golpe da língua’, onde fala de literatura. Apegado a memória e ao cinema, transcreve tudo para seu computador, seu mais íntimo confidente das palavras. Já se aventurou pelo teatro, e segundo ele, o que o estraga e o fez sair, foi um culto a coletivização das funções de cada, onde o trabalho de autor é deixado de lado
FATOS & IDEIAS COM pedro bueno