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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João, 869,  14882-010 Jaboticabal SP
A antiliteratura. Havia uma onda antigamente, entre leitores e escritores de reserva, de dizer que o romance estava morto. Quem fazia bons romances, não ligava para a sentença, pois sabiam esses escritores que haviam bons romances feitos e a serem feitos. Apenas um slogan passageiro que não pegou. Nos idos anos de 70, dos escritores que percorriam o país, promovendo palestras, bate papos e divulgando a sua literatura, até antes da chamada geração de computador dos 90, houve uma boa relativização de contistas, romancistas, ensaístas e cronistas, que faziam bonito e não deixavam a página da literatura nacional num branco e temido vazio como ficou o nosso cinema nessa época perdida do audiovisual. Essa geração semeou uma importante obra para os futuros escritores contemporâneos e mais jovens, e várias vertentes da chamada literatura moderna, àquela em que discorrerei. Nesse ínterim, temos ainda alguns desses escritores ativamente exercendo à literatura, alguns deles, ainda viajando pelo o país, com nome e respeito, e com obras ainda atuais, dando entrevistas, alguns pequenos profetas se repetindo, e outros ressurgindo. De repente, se vê aí um dinossauro antes desaparecido, ganhando merecidamente um conjunto da obra, da mesma feitura de um Fellini no cinema, que também fazia bonito, só que esse, aos olhos de todos. Há também novos destaques em evidência ou formação, onde podemos pressentir um novo estilo e que de alguma forma só o tempo saberá dizer se irá ficar. É gratificante descobrir um novo escritor ou artista, que consegue ler as contradições do nosso país – e principalmente do mundo – e com isso, transpor para à sua literatura. Assim como a poeta Adélia Prado, certíssima em sua leitura do país, na entrevista que concedeu ao programa roda viva, na tv cultura, procurem no youtube. O que quase ninguém percebe, é que está consolidando-se uma ala na literatura, precisamente acadêmica, movida por ensaios ou livros – geralmente tendo como base os piores filósofos modernistas – totalmente prepotente, arrogante, e particularmente censora, tomando vez e a voz na cara de todos. Eles se promovem por meio de um ataque velado à literatura, desprezando tudo de seu mais bonito, que principalmente à literatura de ficção ou o romance consegue realizar, entre uma delas, pela exposição de algo que possa tocar e identificar o leitor pelos personagens, ou um enigma desvendado pela estória, que eles chamam de ‘coisa pequena e sem objetividade política’, que para eles, é fruto da pior literatice. (Pesquisem o que alguns deles fizeram com Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato). Pois qualquer evidência de verdade, os causam pânico. Cismam que essa nossa vida não pode ser à vida como ela é. Que são joias pulsantes aos olhos de quem quer enxergar, sem ideologismos e amarras mentais partidárias. Só que eles não sabem que há mais humildade na literatura do que na maioria dos textões propositalmente feitos para serem ambíguos e incognoscíveis. Há mais sabedoria em criticar o detalhe do ditador disfarçado de revolucionário, do que a sempre repetida e maldosa ‘classe média’, ‘idade média’. Todos sabem desse pacote, e não convém cita-los todos. Mas temos que pôr inteligência na hora de enfrentar os males. O verdadeiro e sábio escritor, sabe que há menos do que mais culpados apontado pelas seitas ressentidas e acusatórias da literatura acadêmica, feita de patrulha e censura acusatória. Mas, voltando à nova literatura, tenho um bom exemplo. Não faz muito tempo, um antigo e já ex-colega, na época, estudante da PUC (a dita católica), certa vez contou-me que sua professora precisava que alguém desse uma aula em seu lugar, para outra turma, e indicou-o. Fui à noite no dia seguinte em sua casa, empolgado em saber como tinha sido à sua aula. Ele me disse, de peito estufado: “me apresentei e antes de tudo, já disse que detestava literatura”, esperei ouvir dele de que foi contestado, mas não, todos também pareciam terem concordado. Foi como se ele já esperasse por aquilo. Uma maneira de ganha-los. Unanimidade espantosa. Agora sei porque à maioria de nossos colegas escritores, ao ver o nascer de sua obra, sabe que no fundo, é um filho deixado de vingança. Essa antiliteratura nunca vai entender isso, pois não pensa por si própria.
Pedro Bueno Nascido em Barretos, Pedro Bueno é um romancista ainda sem cria, e afinado cronista da vida em São Paulo, onde segundo ele, sobrevive. Escreve para revista virtual Contos & Letras, tendo uma coluna intitulada de ‘O golpe da língua’, onde fala de literatura. Apegado a memória e ao cinema, transcreve tudo para seu computador, seu mais íntimo confidente das palavras. Já se aventurou pelo teatro, e segundo ele, o que o estraga e o fez sair, foi um culto a coletivização das funções de cada, onde o trabalho de autor é deixado de lado
FATOS & IDEIAS COM pedro bueno
Nota do editor: O Filme Fahrenheit 451, foi uma Adaptação do livro de Ray Bradbury (livro com o mesmo título) sobre uma sociedade do futuro que baniu todos os materiais de leitura e o trabalho dos bombeiros de manter as fogueiras a 451 graus: a temperatura que o papel queima. Um bombeiro começa a repensar sua função ao conhecer uma jovem encantadora que adora livros. Data de lançamento: 2 de novembro de 1966 (EUA) Direção: François Truffaut Produção: Lewis M. Allen Música composta por: Bernard Herrmann Roteiro: François Truffaut, Jean-Louis Richard
foto e gif do filme: Fahrenheit 451