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Cronica e arte

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O Grito do Ipiranga (continuação) A campanha do Pará Na então Província do Grão-Pará, localizada na região amazônica do Brasil, a burguesia comercial e os proprietários de terra também se encontravam profundamente ligados à Metrópole. A Revolução do Porto também havia provocado reações contraditórias nesta província. Inicialmente, portugueses e brasileiros se uniram com a decisão das Cortes de criar uma monarquia constitucional, porém, quando as Cortes decidiram recolonizar o Brasil, o padrão de reação que havia ocorrido na Bahia se repetiu: brasileiros contra a recolonização de um lado, e portugueses à favor da decisão das Cortes de outro. Em abril de 1823 chegou de Portugal o brigadeiro José Maria de Moura, para governar a província. Em 1º de março, os primeiros combates tiveram início, porém as tropas portuguesas reagiram com violência. Várias pessoas morreram e foram feridas e 267 foram presas. Em agosto de 1823, D. Pedro I enviou para Belém um navio comandado por Grenfell. Usando de astúcia anunciou que uma grande esquadra estaria chegando à Belém e que qualquer resistência por parte dos lusitanos seria inútil. Com medo da ameaça, os portugueses não reagiram e a província de Grão-Pará se incorporou ao Império do Brasil, em 12 de outubro de 1823. Porém a mentira não durou muito. Como a "esquadra" nunca chegava, os portugueses reiniciaram as perseguições aos rebeldes simpatizantes da independência. A violência iniciada pelos portugueses foi revidada com mais violência pelos brasileiros. Aqui, John Pascoe Grenfell, subordinado a Cochrane, pretendendo acabar com os conflitos, impôs a aceitação da Independência também recorrendo ao bloqueio naval, sob ameaça de bombardear a capital, Belém (15 de agosto). Tendo sido eleita uma Junta Governativa (17 de Agosto), explodiu uma violenta reação popular, que obrigou Grenfell a desembarcar tropas e efetuar prisões em massa, visando a restabelecer a ordem pública. Grenfell chegou a convocar a população para uma reunião, em frente ao palácio do governo. Com a população reunida, escolheu cinco soldados ao acaso, e mandou executá-los. A 19 de Agosto, sem que houvesse cárceres suficientes em terra, a pedido da Junta, Grenfell autorizou encerrar nos porões do brigue "São José Diligente" (depois "Palhaço"), duzentos e cinquenta e sete detidos, onde todos, menos um (duzentos e cinquenta e seis, menos quatro, em outras fontes) morreram asfixiados. Dessa maneira, Grenfell apazigou os conflitos na província. Embora posteriormente Grenfell tenha se defendido argumentando não ter ordenado o massacre no Brigue Palhaço, também nada fez para responsabilizar ou punir os responsáveis. Guerra no Mar Lorde Thomas Cochrane. A campanha naval pelo lado brasileiro foi liderada por Thomas Cochrane. A então nascente Marinha Brasileira experimentou de início uma série de contratempos, devido à sabotagem exercida pelo alto número de portugueses que faziam parte de suas tripulações quando do início das conflagrações em terra. Porém, já em 1823 a Marinha havia sido reformada e os membros portugueses substituídos por brasileiros natos, que incluía recrutamento à força tanto de escravos libertos, quanto de brancos livres, sob o comando de mercenários britânicos e americanos. Tal reformulação foi fundamental para que marinha brasileira conseguisse não só limpar a costa da presença inimiga e isolar as restantes tropas terrestres portuguesas, como no final de 1823, perseguisse os restantes navios de guerra lusitanos através do Atlântico até a foz do Rio Tejo.[5] Porém, apesar da derrota militar e da pressão diplomática exercida pelo Reino Unido, somente em 29 de Agosto de 1825, Portugal reconheceu a independência do Brasil com a assinatura do Tratado de Amizade e Aliança entre Brasil e Portugal. O número de combatentes na guerra de independência brasileira foi maior do que o número de combatentes nas batalhas ocorridas nas guerras de libertação da América Espanhola, da mesma época.[6] Apesar disto, não há estatísticas confiáveis em relação à precisão do número de mortes em combate. A soma das oficialmente confirmadas com as inferidas pelas informações sobre os confrontos ocorridos (porém sem registros oficiais da época), dão a estimativa que a guerra de independência brasileira tenha custado entre 2.000 e 3.000 mortos.[7]
Lorde Thomas Cochrane
José Bonifácio