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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Caixa Postal 43,  14870-970 Jaboticabal SP
O Grito do Ipiranga (continuação) O agente brasileiro em Londres, Marquês de Barbacena (Marechal Felisberto Caldeira Brant) recebeu ordens para adquirir navios de guerra totalmente equipados e tripulados à crédito. Nenhum fornecedor, entretanto, estava disposto a assumir os riscos. Finalmente, foi realizada oferta pública de ações, tendo o novo Imperador subscrito pessoalmente 350 delas, inspirando outros a fazerem o mesmo. Assim, o novo governo logrou êxito em arrecadar recursos para adquirir uma frota. Revista das Tropas Destinadas a Montevidéu na Praia Grande, em 7 de junho de 1816 (aquarela de Jean- Baptiste Debret). Arranjar tripulações foi outro difícil problema. Um número significante de antigos oficiais e marinheiros portugueses vindos juntos com a Corte de D. João VI em 1808 voluntariaram-se para servir à nova nação e juraram-lhe fidelidade. A sua lealdade, entretanto, estava sob suspeitas. Por este motivo, oficiais e marujos britânicos foram recrutados para suprir a deficiência e acabar com a dependência em relação aos portugueses. Havia tão pouca oferta de marinheiros que prisioneiros chegaram a receber indulto para servir à frota. O exército português no Brasil era composto por tropas de linha e milicianos. Todos os soldados eram nomeados pela Corte de Lisboa. Em 1817, uma revolta republicana eclodiu em Pernambuco. Como conseqüência, 2.000 soldados da "Divisão Auxiliar" foram enviados ao Brasil. Com a chegada das tropas lusas, oficiais nativos do Brasil passaram a não ser mais investidos de grandes responsabilidades. Campanhas de Independência Estratégias iniciais A influência de Portugal sobre o Brasil era mantida pelas guarnições em portos estratégicos. Parte da estratégia portuguesa para retomar o controle do Brasil e impedir a independência de sua colônia mais importante era recuar as tropas em Montevidéu e usá-las para reforçar as guarnições na Bahia. Esperava-se que essas tropas reconquistariam a Bahia, enquanto a marinha portuguesa bloquearia o Rio de Janeiro e por consequência o reconquistariam. A estratégia de Dom Pedro era isolar as guarnições portuguesas e forçá-las, uma por uma, a se render. Separação Durante 1822, os habitantes do Brasil tomaram partido nos eventos políticos que se desenrolaram no Rio de Janeiro e em Lisboa. Houve cisão no Exército luso-brasileiro que ocupava a Cisplatina (Uruguai). Regimentos portugueses recuaram para Montevidéu e foram cercados pelos ex-companheiros, os brasileiros, liderados pelo Barão de Laguna. No remoto e pouco populado norte do Pará e Maranhão, juntas pró-portuguesas declararam lealdade a Portugal. Pernambuco era favorável à independência, mas, na Bahia, não havia consenso entre a população. A campanha da Cisplatina Nessa província, que hoje é o Uruguai, o Comandante de Armas, D. Álvaro da Costa não aderiu ao recém criado Império do Brasil, entrando em conflito com o general Frederico Lecor, responsável pela ocupação da área que foi anexada ao Brasil durante o governo de D. João VI, sendo que Alvaro da Costa conseguiu o controle sobre Montevidéu, a capital da província, o que forçou Lecor a recuar suas tropas para o Rio Grande do Sul. A região encontrava-se dividida entre imperiais e lusitanos, após tomar Montevidéu em novembro de 1823, Lecor sofreu contra-ataques, liderando 1800 homens, a partir de 2 de março de 1824, forçou os 2000 soldados portugueses que bravamente resistiam na região do Prata a se renderem em 8 de março do mesmo ano, findando assim na Cisplatina o último reduto da resistência lusitana na América. Meses depois, os uruguaios, liderados por Juan Antonio Lavalleja e Fructuoso Rivera, em decorrência de promessas de autonomia não cumpridas pelo governo central do Rio de Janeiro, iniciariam a luta pela sua própria independência, levando à Guerra da Cisplatina. A campanha da Bahia[edita Ver artigo principal: Independência da Bahia Com a Revolução do Porto, a população da Bahia dividiu-se, e os conflitos entre brasileiros (contra a recolonização) e portugueses (a favor da recolonização) aumentaram. A área tradicionalmente produtora de açúcar e de tabaco do Recôncavo, dominada pelos grandes latifundiários escravistas, desde cedo se manifestara pela causa brasileira, sob a liderança da vila de Cachoeira. A capital da Província, Salvador, então ocupada pelas tropas do Exército Português sob o comando do Governador das Armas, Inácio Luís Madeira de Melo, mantinham os laços com a Metrópole. Com a divulgação da notícia da proclamação da Independência, as vilas do Recôncavo baiano, sob a liderança da vila de Cachoeira, em cuja Câmara Municipal se instalou um governo interino, mobilizaram-se para expulsar as tropas portuguesas entrincheiradas em Salvador, reforçadas desde os acontecimentos que haviam culminado no Dia do Fico (9 de Janeiro de 1822). Esse processo de reforço de tropas foi marcado por diversos incidentes em Salvador, entre os quais o assassinato, por soldados portugueses, da abadessa do Convento da Lapa, Sóror Joana Angélica de Jesus (19 de Fevereiro). Para apoiar e reforçar os rebeldes brasileiros na região, que haviam criado batalhões patrióticos formado por voluntários da capital e do interior da província, o governo brasileiro despachou, da Corte, alguns navios sob o comando de Rodrigo de Lamare, conduzindo tropas e suprimentos, inclusive um oficial experimentado nas campanhas napoleônicas, Pierre Labatut. Este efetivo desembarcou em Maceió, em Alagoas, de onde seguiu, por terra, para a Bahia. Durante a marcha, o contingente foi reforçado por efetivos vindos de Pernambuco, do Rio de Janeiro e do amplo voluntariado que se abrira no Recôncavo. O Exército brasileiro adentrando Salvador após a rendição das forças portuguesas, 1823. Entre esses voluntários destacaram-se nomes como os de Maria Quitéria, no Batalhão dos Periquitos, criado pelo avô do poeta Castro Alves - José Antônio da Silva Castro -, assim denominado pelo predomínio da cor verde em sua farda. De Portugal, foram enviados 2.500 homens para reforçar as tropas de Madeira de Melo. A este efetivo juntaram-se elementos da Divisão Auxiliadora, que se retirava do Rio de Janeiro. As vitórias brasileiras nas batalhas de Cabrito e de Pirajá (8 de Novembro de 1822), bem como o fracasso na tentativa portuguesa de ocupação da ilha de Itaparica (7 de Janeiro de 1823), tornaram cada vez mais difícil o sustento da posição por parte do Exército Português. Diante do bloqueio naval de Salvador, imposto pela esquadra imperial sob o comando de Lord Thomas Cochrane, complementado pelo bloqueio terrestre, que conjugados, impediam o suprimento do efetivo lusitano, Madeira de Melo foi forçado a capitular, abandonando Salvador (2 de Julho), que estava sob uma situação dramática: devido ao cerco faltavam alimentos e doenças matavam os mais fracos. Então com a vitoria a cidade foi tomada pelas tropas brasileiras. Na ocasião Cochrane aprisionou várias embarcações de bandeira portuguesa ("Prontidão", "Leal Portuguesa", "Pizarro", "Carolina" e "Conde de Peniche"), perseguindo as demais até às proximidades de Lisboa. A campanha do Piauí Na então Província do Piauí, tradicional produtora de gado, a burguesia comercial e mesmo os proprietários de terras, estavam ligados à Metrópole, inclusive por laços de sangue. Aqui, a adesão à Independência do Brasil foi proclamada na vila de Parnaíba. O interior e a capital, Oeiras, permaneceram sob o controle de tropas do Exército português sob o comando do Governador das Armas do Piauí, major João José da Cunha Fidié. Mesmo diante do recebimento de reforços vindos da então Província do Ceará comandadas pelo capitão-mor do Crato, José Pereira Filgueiras, as tropas brasileiras foram inicialmente derrotadas na batalha do Jenipapo (13 de março de 1823), ocorrida no atual município de Campo Maior, às margens do rio Jenipapo. Outras localidades, entretanto, manifestaram a sua adesão à Independência, alcançando a vitória quando Fidié se deslocou para apoiar a resistência portuguesa na vila de Caxias, no Maranhão. A campanha do Maranhão[ Também na Província do Maranhão, as elites agrícolas e pecuaristas eram muito ligadas à Metrópole. À época, o Maranhão era uma das mais ricas províncias da América Portuguesa. O intenso tráfego marítimo com a Metrópole, justificado pela maior proximidade com a Europa, tornava mais fácil o acesso e as trocas comerciais com Lisboa do que com o restante da colônia. Os filhos dos comerciantes ricos estudavam em Portugal. A região era conservadora e avessa aos comandos vindos do Rio de Janeiro. Foi da Junta Governativa da Capital, São Luís, que partiu a iniciativa da repressão ao movimento da Independência no Piauí. A Junta controlava ainda a região produtora do vale do rio Itapecuru, onde o principal centro era a vila de Caxias. Esta foi a localidade escolhida pelo major Fidié para se fortificar após a derrota definitiva na Batalha do Jenipapo, no Piauí, imposta pelas tropas brasileiras, compostas por contingentes oriundos do Piauí e do Ceará. Fidié teve que capitular, sendo preso em Caxias e depois mandado para Portugal, onde foi recebido como herói. Tais combates da Guerra da Independência também serviram como batismo de fogo para o jovem Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias. Lentamente os brasileiros foram conquistando o apoio de várias cidades e povoados maranhenses, e aos poucos, os portugueses foram sendo derrotados. Contudo, a capital, São Luís, permanecia controlada pelos portugueses. Enviada do Rio de Janeiro, uma frota comandada por Lord Cochrane aproximou-se de São Luís fingindo ser reforços portugueses. Conchrane conseguiu desembarcar seus homens e aprisionou alguns chefes militares portugueses. Usando-os como reféns, conseguiu conquistar o controle da cidade. São Luís, a capital provincial e tradicional reduto português, finalmente bloqueada pelo mar e ameaçada de bombardeio pela esquadra de Thomas Cochrane, foi obrigada a se render, aderindo à Independência em 28 de julho de 1823.
Maria Quitéria