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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João, 869,  14882-010 Jaboticabal SP
FRANCISCO ALVES, O REI DA VOZ: DA VALSA AO SAMBA, UM MARCO NO CENÁRIO MUSICAL BRASILEIRO (parte II: No final da página clique e leia a parte III) Um artigo de Mentore Conti (colaboradores especiais Clovis Roberto Capalbo e Daniel Bruno) fotos: sites internet/ domínio publico Jaboticabal, 29 de junho de 2018 A primeira gravação de Francisco Alves foi O Pé de Anjo, que era uma marchinha e Fala Meu Louro, um samba, ambas do compositor Sinhô. Com essa primeira gravação Francisco Alves não consegue sucesso que teria anos depois, mas o apoio do compositor Sinhô foi fundamental para sua carreira e em 1920 ele atua na companhia de teatro São José e começa a gravar pelo selo Odeon, sem ainda obter o sucesso.  No fim da década de 20 ele é o primeiro cantor brasileiro que usa a tecnologia da gravação elétrica e não apenas mecânica, como era até então. Estas músicas gravadas foram Albertina e Passarinho do Má, na Odeon, 1927.  E é neste ponto que Francisco Alves obtém sucesso e sua carreira começa a deslanchar, gravando já no ano seguinte uma centena de canções, consolidando a sua carreira. Então na década de 30 Chico Alves em definitivo se torna um dos grandes intérpretes da musica brasileira, um dos maiores do período e é aí então, que o radialista César Ladeira da a ele apelido cantor de o rei da voz. Na época em que Francisco Alves começou, 1920, a gravação de um disco era muito complicada, o que criava um funil natural para que intérpretes gravassem discos e também, naquele período, os direitos autorais, só eram pagos pela gravação e não pela vendagem dos discos.  A divulgação do cantor e sua obra era feito em espetáculos musicais, em teatros, em shows, como poderíamos chamar no linguajar de hoje, ou mesmo em circos. Neste ponto é interessante frisar o que depois de tanta evolução musical, voltamos a ter um mercado musical, como naquela época, quanto a questão da divulgação e venda de músicas.  As gravações iniciais eram em acetato para gramofone e depois passou para o vinil e os toca-discos, fazendo com que o mercado fonográfico se fortalecesse e a divulgação do cantor ou compositor fosse feita pela vendagem do próprio disco, já entre as décadas de 1960 a 1980. Hoje devido ao MP3 chegamos a uma tecnologia, onde o disco em si não reverte ao autor praticamente direito nenhum e serve apenas como uma “vitrine” tendo que novamente o cantor, o autor de música, buscar shows espetáculos como era no início dos anos 20, quando Francisco Alves começou. Iniciando a gravar em 1919 e no início de 1920, Francisco Alves rapidamente atingiu o auge e somente de 1927 a 1930, ou seja, em 3 anos o artista gravou 421 músicas em discos de 78 RPM (rotações por minuto). Francisco Alves gravou pelo selo Parlophon, paralelamente aos discos pela Odeon. Na Odeon ele usava seu nome próprio, na Parlophon usava pseudônimo de Chico Viola; isto gerou confusão, mesmo em pessoas do ramo artístico, que debatiam qual dos dois cantores seria o melhor: uns diziam ser Francisco, outros o Chico. Assim Francisco Alves usou, ao menos por um período um heterônimo, no estilo do que fez Fernando Pessoa na literatura portuguesa.  Na época um disco era feito em acetato e vinha com duas músicas, portanto em apenas 3 anos Francisco Alves gravou uma média 70 discos 78 rotações por ano.   Este número de gravações é o número alto para a época. Mas se considerarmos também os anos 80 e a tecnologia que tinha então onde um disco de vinil podia comportar 12 músicas vamos ter um número de 11 discos por ano o que era um padrão alto até para os cantores que na década de 70 e 80 estavam no auge.  Nessas décadas um cantor ou autor de música gravava no máximo 1 ou 2 discos por ano e alguns chegavam a gravar 4 discos por ano. Francisco Alves marcou um recorde em número de gravações, foram 1173 gravações, sendo 39 delas mecânica Além disto, Francisco Alves era um cantor que cantava praticamente todos os ritmos de então, da valsa ao bolero, do tango, música sertaneja, (caipira), cantando com Raul Torres (vídeo na página), música gaúcha, marchinha de carnaval e até mesmo o samba (música quentão era mal vista em nossa sociedade, por ser música ligada à religião africana, uma música de feitiço). Isto  fez com que estes ritmos ficassem fixados na cultura brasileira. Francisco Alves ia até as favelas para conversar com compositores e recolher musicas, comprando os direitos autorais ou fazendo psarcerias, compondo com músicos que moravam lá e não tinha preconceito disto, como outros interpretes da época. Neste particular, vemos hoje um trabalho igual ao de Francisco Alves de ir buscar músicas no morro, nas favelas, ou em locais pobres, o trabalho de Gabriel o Pensador  De acordo com a pesquisadora Egly Colina Marín, em sua biografia sobre o cantor «Biografia Francisco Alves». Fundación José Guillermo Carrillo. Consultado em 2 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2016. (em espanhol), "Francisco Alves deixou centenas de canções que, no presente, são objeto de atenção por estudiosos e investigadores culturais de todas as latitudes". continua ...
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