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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João, 869,  14882-010, Bairro Aparecida Jaboticabal SP
CRIMINOSOS, IMORAIS E ANTIÉTICOS: qual a fonte de sua conduta? Ao longo do tempo variadas áreas do conhecimento tem analisado quais os fatores que levam o indivíduo a se enveredar para o crime. Há uma corrente, com base sociológica, que alega que o indivíduo é fruto do meio em que vive, de forma que o indivíduo que vive em um meio com muita criminalidade e interage com criminosos tende a se tornar um criminoso. Essa é uma perspectiva intrigante, pois há pessoas que nasceram e foram criadas no seio de ambientes com muitos criminosos e se tornaram pessoa integras, corretas, sem qualquer mácula em suas vidas. Não se podendo olvidar que a maioria das pessoas que vivem em ambientes cercados pelo crime, habitados por criminosos, são pessoas de bem que levam sua vida com muito trabalho e esforço. Até mesmo a influência dos pais sobra as crianças deve ser melhor observada, pois há indivíduos de classe média e alta, que sempre gozaram de uma vida sem limitações materiais, estudando em boas escolas, criados por pais que possuem uma moral impecável, muito religiosos etc. e que, mesmo assim, partiram para o crime. Há casos de indivíduos criados em meio a família criminosa, ou em meio a uma miséria tremenda, com o caminho do crime à sua porta, e que se desvencilharam e foram viver suas vidas de forma reta, justa. Assim, a influência do meio sobre o indivíduo deve ser observada com cautela, pois se apresenta como falsa. Outra corrente sustenta que o criminoso é um indivíduo desequilibrado psicologicamente, de forma que não sente a necessidade de seguir e aceitar os parâmetros de conduta estabelecidos pela sociedade para que seja justo, correto, dentro da lei. Tal perspectiva é, por sua vez, intrigante, pois se o indivíduo parte para o crime por falta de higidez mental, não haveria razão para encarceramento, mas sim todos deveriam receber tratamento psiquiátrico, como doentes mentais que são. Encarcerar um doente mental não resolveria seu problema de saúde e, ainda, poderia até agravar seu quadro clínico, devendo o tratamento psicológico ser o caminho adotado. O fato de se ter uma família ou não a ter segue o mesmo parâmetro. Há quem siga uma vida reta e há quem se perca no caminho. E a perspectiva que mais aprecio, e concordo plenamente, é a perspectiva filosófica na qual “o indivíduo é o que é” e, se pratica condutas antiética ou criminosos, isso se dá por sua índole ser inclinada para tal fim. Há uma frase que diz que “o ser humano é exatamente aquilo que é quando a última porta se fecha atrás dele”, ou seja, a conduta tomada quando ninguém está observando é que define o indivíduo. Essa perspectiva é tão verdadeira que, se recordarmos dos fatos ocorridos aqui no Brasil, em estados da federação em que houve greve das forças policiais, lembraremos que cidadãos íntegros, conhecidos por terem uma conduta reta, partiram para saquear lojas, mercados, praticar quebra-quebra etc., de forma que seus vizinhos passaram a temer aquela pessoa, que, de fato, só é integra e justa quando devidamente vigiada. Isso não se deu apenas em classes menos abastadas, mas entre integrantes da classe média e mais elevada, o que é assustador e confirma a tese apresentada. Quantos indivíduos retos, justos, não estão sob controle pela existência de uma fiscalização do estado, pelo receio de sofrer uma punição?  Já imaginaram que quadro mais complexo e assustador. Ao menor sinal de inexistência de fiscalização um monstro surge. A prática demonstrou a veracidade de que, sem fiscalização, indivíduos que possuem uma besta fera dentro de si a colocam em liberdade se a fiscalização falhar. Ao passo que os verdadeiramente corretos, justos, de bem, não se deixam seduzir pela falta de fiscalização e, quando a última porta se fecha atrás deles e ninguém mais está observando, sua conduta continua impecável. Assim, o imoral, o antiético, o criminoso age assim por possuir uma índole imoral, antiética ou criminosa. Não é a ocasião que faz o ladrão, o ladrão já existe antes da ocasião, pois só aguardava a condição ideal para agir. O caminho é a educação, entendendo-se como tal, o ato de ensinar, aprender, aprimorar e fazer uso, constantemente, de valores, virtudes e sabedoria, controlando os instintos por meio da razão.
Waldomiro Camilotti Neto é filósofo, advogado, professor universitário,  Especialista em Direito Processual do Trabalho e  Direito Administrativo.
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