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Cronica e arte

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Anos 80: a aventura do Espaço (uma História em 3 depoimentos)
OS ANOS 80 Por Luis Claudio de Paula Rodrigues (músico) Anos 80. Mesmo antes de ficar conhecida como a melhor usina musical brasileira, a década de 1980 se iniciava no Brasil com os primeiros ventos da liberdade após o tenebroso regime militar. A anistia em 1979 fez mais que repatriar os dissidentes do regime: tornou-se o pontapé inicial de uma abertura que contagiou todos os setores da cultura e políticas nacionais. Em Jaboticabal, uma pesada névoa se dispersava e fez brotar uma série de iniciativas culturais: O Grupo Jovem de Teatro sob a iniciativa do Prof, Luiz Carlos Peres Cascaldi e colaboradores com o Teatro D. Pedro II ainda na década de 70 e após,  os Festivais Universitários da praticamente estreante UNESP e seu campus de Jaboticabal foram as duas iniciativas culturais mais proeminentes. Quem teve o privilégio de ter vivido esta época, sabe que a última geração de alunos secundaristas egressos das  ainda boas escolas públicas, estava sendo gerada e partiria para a juventude esfomeada por toda  essa efervescência.   E viemos nós. Ainda sem poder contar com a liberdade de escrever em periódicos nas escolas secundárias,  um grupo de jovens escritores, músicos e desenhistas, ou tudo isso junto e misturado, formou aqui em Jaboticabal um grupo que se intitulou “Guerrilha Literária”, com o objetivo de dar vazão à toda a criatividade que ainda nos era tolhida no ensino médio.  E a criação no final de 1982 de um fanzine denominado “Espaço” um jornal sem censura.  Não era uma geração espontânea, era um movimento nacional.  Mas o “barato” da coisa é a total falta de consciência disso. A grande maioria como nós, rodava suas publicações em  Mimeógrafos de álcool, os mesmos em que eram geradas nossas provas.....é galera ......não há conhecimento sem dor.  Embora alguns governos tenham destruído a política do “no pain no gain” anos após com a famigerada progressão continuada no ensino publico, os mimeógrafos de nossas torturosas provas eram os mesmos que reproduziam as flores da nossa criatividade.  Financiávamos os custos com papel,  alccol e matrizes de estêncil , pintando camisetas e recorrendo a vaquinhas. O objetivo era esse: mostrar como iniciativas culturais poderiam sobreviver sem estar atreladas ao dinheiro, apesar da dependência deste. Por um ano e pouco, entre dezembro de 1982 e meados de 1984, nosso pequeno grupo e colaboradores “ rodou” exemplares e distribuiu os exemplares do “ espaço” em escolas, bibliotecas e em nossas iniciantes faculdades..... É Claro que esse modelo se esgotou, mas deixou marcas e saudades em seus integrantes, e hoje, podemos concluir que era mesmo uma guerrilha literária. Uma pergunta jamais poderá ser respondida: o que faríamos se nessa época maravilhosa tivéssemos a internet ????  Bom, uma parte da geração atual reconhece que não é exagero nosso. Vivemos a melhor época. A outra parte da atual geração é apenas sobrevivente da extinção cultural que a política da progressão continuada gerou. 
 ARTE DA GERAÇÃO DO MIMEÓGRAFO Laudo Ferreira (Roteirista e desenhista) Um poeta da geração dos anos 70, que hoje em dia, infelizmente não me recordo seu nome, classificava toda sua turma, como geração do             “mimeógrafo generation”, pelo uso desta hoje antiquada forma de impressão, feita à base de estêncil, álcool e papel sulfite. Na época, início dos anos 80, nós que produzíamos o jornal “Espaço”, tomamos posse da denominação que este poeta criara e também nos intitulávamos desta maneira ou, “imprensa nanica”, como definia o Luiz Cláudio Rodrigues, o Claudinho, um dos ativos membros do grupo Guerrilha Literária (isso mesmo!), responsável pelo “Espaço”.             A mim, desenhista autodidata e dando meus primeiríssimos ensaios na arte de fazer cartuns e histórias em quadrinhos, cabia a função de ilustrar esse jornal, fazendo desenhos para a maioria das páginas, ilustrando poemas, contos, ensaios, além de criar uma página de humor chamada “A voz do louco”, uma brincadeira em cima do chatíssimo jornal de rádio e símbolo da ditadura militar, “A voz do Brasil”. Estávamos em início dos anos 80, ainda sob a sombra dos coturnos do exército, embora, claro, tudo aparentemente mais leve. Nessa página de humor, o foco central das ideias, era justamente a revolta de jovens querendo mudar o mundo através do mimeógrafo generation.           Tecnicamente falando, desenhar em estêncil, para depois, ser rodado no mimeógrafo, não era a coisa mais fácil do mundo, requer um cuidado todo especial, principalmente na hora de finalizar a arte. Costumava desenhar a lápis, tomando cuidado para que esse mesmo lápis não passasse para o outro lado, pois isso implicaria em problemas na hora da impressão, aí sim, finalizava o desenho, sempre com caneta esferográfica, melhor meio de ter uma arte- final, se é que podemos chamar assim, forte e que por fim, tivesse um bom resultado na hora final, ou seja, a impressão. Na maioria das vezes, trabalhávamos com estêncil azul, o básico, e em uma ou duas, no vermelho, o que era um pouco mais chato.           Falando tudo isso, parece que era algo muito meticuloso, preciso, de minha parte, então, um adolescente com seus 18/19 anos, nada disso, tudo era feito com absoluta paixão, com muito amor e prazer.          Da experiência de ter feito parte do grupo e consequentemente da feitura do jornal “Espaço”, muito levei comigo nos anos que se seguiram, a própria página de humor, “A voz do louco”, virou tirinha, onde publiquei pelo país todo, em jornais e revistas e mesmo fora do Brasil, em um jornal de Portugal, durante aproximadamente uns dois anos. Um aprendizado de arte, amizade e amor, uma semente que brotou e ainda hoje, de alguma forma, existe em mim.                                 
 O ESPAÇO: UM FANZINE por Mentore Conti (Professor e Radialista) Neste último dia 19 de setembro tive a grata função de digitalizar um fazine que foi rodado há 32 anos atrás. Trata- se do Jornal “O ESPAÇO”, um jornal mimeografado feito por um grupo de jovens que fazia musica poemas e contos, um grupo de jovens que queria divulgar o trabalho que fazia, como bem explicou no texto acima o musico e colunista Luís Claudio de Paula Rodrigues. Revendo o material, preservado por Luís Claudio, (parte deste material em estêncil) a matriz com que rodávamos o fanzine, e cuja digitalização está ao lado, vejo, agora trinta anos depois, que fazíamos, por assim dizer milagre. Mimeógrafo é um aparelho que com um cilindro onde se prende a matriz com o texto em carbono e banhando a folha com um pouco de álcool se faz duplicar o texto desta matriz em Carbono como vemos no filme ao lado. A questão é que este tipo de duplicação foi pensado para textos ou desenhos simples, mas como vemos no jornal “O ESPAÇO” com o passar do tempo e a criatividade do Laudo, hoje proprietário de um Estúdio de desenhos em São Paulo, mesmo usando o mimiografo, como disse projetado para textos simples, foi utilizado com um excelente resultado. A ideia era um ESPAÇO para divulgar o que faziamos e, conversando esta semana com o Luís Cláudio, ele lembrou que a própria forma do estêncil dava mais liberdade de ação que um jornal oficial, mas obvio, não pensávamos nisto na época. Na época usava-se nos jornais de tipografia, o offset, que é claro que dava melhor resultado e mais cópias, mas encarecia a edição em muito se ao invés de usar-se fotos e textos um jornal partisse para o desenho como nos fanzines mimeografados, como era o ESPAÇO, mas como disse antes esta é uma reflexão que fazemos hoje. Para suprir um pouco a falta de qualidade da cópia mimeografada, os leitores vão perceber, a redação do Jornal ESPAÇO, utilizava duas maquinas de datilografia. O jornal ESPAÇO foi rodado em mimeógrafos de escola da barrinha, já que minha mãe (Maria Celma Cristófaro, lecionava lá e levava as vezes o material para rodar naquela cidade no mimeógrafo da escola. O jornal ESPAÇO ganhou corpo e por um ano, com apoio de jovens que mesmo não escrevendo frequentavam o que podíamos chamar de redação do fanzine ESPAÇO, e doavam folhas na época chamadas sulfite (A4 de hoje). Ao grupo que dirigia o jornal nós denominamos de Guerrilha Literária, uma clara ideia de provocação e um nome chamativo naqueles tempos de final de regime militar. Na época o grupo também compunha músicas com o Luís Claudio, Laudo e eu compondo letras e o Claudio e Laudo  (continua ao lado acima)
músicas e concorríamos no festival da Concha Acústica, em jabolticabal. um festival organizado pelo Diretório Acadêmico Diretório Acadêmico Fernando Costa da Unesp de Jaboticabal. Daquele grupo eu continuo escrevendo e agora ultimando um livro de contos e um de poemas, trabalhando em rádio e com o site, além da minha profissão de advogado, Luís Claudio além das suas atividades na Caixa Econômica Federal de Jaboticabal, atua como musico no conjunto MISTERSOM BUTEKO BAND e o Laudo tem um estúdio de desenhos em São Paulo. Podia-se dizer que a ousadia nossa era um pouco grande, além de estarmos começando, ainda abríamos para jovens de Ribeirão Preto, por exemplo, publicarem também. Trabalhando diretamente no Grupo estavam o Luis Claudio de Paula Rodrigues (Claudinho) Laudo Ferreira Jr. (Laudo) Darclet Malerbo (Darclet) e eu Mentore Conti, além de outros colaboradores que no quadro abaixo coloco a maioria dos nomes Foi uma experiência impar, que sem saudosismo, ou com saudosismo, como queiram, me ajudou em parte do que faço.
Peço Desculpas se não citei nomes de outros participantes e colaborados do Jornal, mas em meu nome e em nome do Laudo e do Luís Claudio, agradeço à todos eles e peço a gentileza de entrarem em contado nos e-mails do site, se desejarem dizer algo
mimiografo funcionando