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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João, 869,  14882-010, Bairro Aparecida Jaboticabal SP
O MECANISMO Um Artigo de Mentore Conti foto divulgação NETFLIX Jaboticabal, 29 de março de 2018 Ficha técnica  de O Mecanismo: Criado por José Padilha, Elena Soarez (2018) Netflix Com Selton Mello, Caroline Abras, Enrique Díaz mais País Brasil; Gênero Drama; Status Em andamento Duração 60 minutos A Netflix, site de streaming de filmes e seriados, lançou a série “O Mecanismo” de José Padilha. A série que é do mesmo autor de Tropa de Elite 1 e 2 e Narcos, narra uma história baseada na investigação da lava- jato. A lava jato desde 2014 conseguiu descobrir crimes e condenar, grande parte da Cúpula do Poder no Brasil nos últimos 18 anos. A lava jato revelou um dos maiores esquemas de corrupção no Brasil. A primeira temporada tem como narrativa a investigação de dois policiais Ruffo e Verena, que se propõe a descobrir e acabar com os negócios milionários de um criminoso especializado em lavagem de dinheiro. Durante a Trama eles descobrem toda uma batalha a ser travada com o Ministério Público e um juiz tenaz e vaidoso e descobrem que o mecanismo corrupto, é muito maior do que esperavam chegando aos bastidores do poder, a escritórios de Deputados e Funcionários, chegando também aos principais empresários do país.  Mal acabou de ser lançada e a série gera polêmica principalmente de pessoas que passaram pelo poder no país nos últimos 13 anos.  Lula e Dilma disseram que há erros e que o diretor e autor deveria ser processado.  A parte este posicionamento e o descontentamento de parte dos políticos do país, de esquerda, centro esquerda e direita, que podem ser retratados em muitos pontos da série, nós não podemos falar que a série contém erros e não é fiel aos fatos.  Primeiramente devemos lembrar o que é uma obra de arte. A arte não é realidade pura e simples, a obra de arte pode se basear na realidade, ter fundamento em fatos e personagens reais, mas por si só uma peça, um filme ou um livro, extrapolam a realidade e por isso chamamos de ficção. Se quiséssemos trazer a realidade para uma tela, deveríamos falar em documentário e mesmo assim, em relação ao tema da lava jato, no exemplo que estamos citando, devido à proximidade entre os fatos ocorridos e quem escreveria o documentário, os fatos seriam retratados sempre com a parcialidade e visão de quem é contemporâneo aos fatos. Para real isenção da descrição de um fato histórico é necessário que a pesquisa histórica seja feita no mínimo, cinquenta anos depois de ocorrido o fato histórico a ser pesquisado. Aí sim um fato histórico pode ser contado como realmente aconteceu e com maior isenção, devido o tempo transcorrido entre o fato e o historiador que o conta. Tanto é verdade que todos os filmes que narraram os acontecimentos de 1964 e o governo político militar que se instaurou a partir do dia 31 de março daquele ano, são tendenciosos. Se considerarmos ainda que a partir do cinema novo, muitos autores de esquerda atuaram no cinema brasileiro, nós vamos ter uma narrativa dos acontecimentos de 64, que sai completamente fora do que aconteceu. Como exemplo eu cito o fato de que nenhum autor de documentário ou filme sobre os acontecimentos 64, até agora, teve a coragem de dizer que o Partido Comunista Brasileiro foi criado por Tenentes do exército brasileiro em 1922 e que a intentona comunista de 1935 foi organizada por militares. Quando falam de Luis Carlos Prestes, quantos lembram que ele era militar, antes de ser comunista? Voltando ao tema, lembremos então que a série não se propõe a ser uma série de história, mas sim a narrativa baseada em fatos reais e que trará em linhas gerais, assim percebemos nos primeiros capítulos, qual o mecanismo do poder, Independente de quem o ocupa, se um político de esquerda direita ou de centro.  O interessante de uma obra de ficção é exatamente isso, que o autor está livre para traçar paralelos e colocar pontos de vista que muitas vezes desagradam algumas pessoas mas que são aspectos de toda a verdade que aconteceu, e que devem ser lembrados. Falar em processar, proibir, é no mínimo se demonstrar ignorante e não entender o que é uma obra de ficção e também não entender que narrar o que realmente aconteceu é papel de uma obra de história. O que me espantou o mesmo foi ver gente, que escreveu e reescreveu a história do Brasil, distorcendo os fatos reais da nossa história, denegriu vitórias do exército brasileiro (como a guerra do Paraguai), gente que diz que é herdeiro de Getúlio, mas odeia Emílio Garrastazu Médici, que quando jovem, apoiou Getúlio nos anos 30, desdizer e falar mal de uma obra lançada como é O Mecanismo. Fico imaginando o que não vão dirão estas pessoas quando alguém se propuser a contar a verdadeira história da Guerrilha Rural e Urbana no Brasil. Fico pensando no que não vão dizer quando alguém contar quem foi Antônio Gramsci na realidade e que estavam errados todos aqueles que achavam que ele era um grande pensador (e descobrirem que para ter ideias gramscianas de verdade a pessoa tem que ser ateia) e que só não sabem isto porque não leram a obra de Gramsci em italiano e não leram a fundo, o que foi a escola de Frankfurt, com os seus pensadores que criaram uma esquerda cultural, que nem mesmo alguns líderes da Revolução Russa  gostavam e aceitavam. Mas enfim a série está aí é assistir e entender um pouco mais sobre o que é o mecanismo do poder, não deste ou daquele segmento político, não desse ou daquele partido, mas o que virou o poder nos últimos 30 anos no país. Eu disse entender um pouco, mais não trazer toda a verdade à tona, Já que esta série é uma ficção.