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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  148882-010 Jaboticabal SP
O PÃOZINHO DO COELHO Uma crônica de Mentore Conti     foto internet: foto 1 Porta Cintia bombardeada Rieti Itália; foto 2 bombardeamento de Terni Itália II Guerra Mundial O sol se punha novamente e a neve que já tinha começado a cair em mais um inverno, parecia mais fria naquele ano. Era 1943 e na região da sabina em Rieti, a situação da Segunda Guerra Mundial piorava cada vez mais. Peppe, mais uma vez se recolhia com suas ovelhas, agora devido ao perigo, elas eram em número bem reduzido e não podiam ir longe. Geralmente Peppe ia com Rossana, sua irmã. Agora os passeios eram curtos, não mais que cem ou duzentos metros longe da casa. Havia risco de tiroteio. A casa de Peppe ficava em uma estrada vicinal, que acabava ligando de forma secundaria Rieti a Terni, passando por Morro Reatino. Como em Terni as siderúrgicas passaram a fabricar artefatos militares, a estrada ao lado da casa de Peppe, naqueles anos virou rota para caminhões do exército, ...eram dias tristes. Peppe tinha 8 anos e seu mundo era rodeado de aviões de reconhecimento, aviões de bombardeio e soldados. Certa feita Peppe caminhava um pouco mais longe do habitual e de repente ouviu o barulho de aviões. Ao olhar viu uma esquadrilha, que de onde ele estava, pareciam ter vinte centímetros cada aeroplano. Aquela vez eram em seis aviões e quando Peppe se deu conta, saiam dos aviões, pontinhos pretos. Ele rapidamente viu o perigo do bombardeio e correu, correu muito, tropeçou... correu o mais que pode, achando que as bombas o atingiriam, não tinha certeza disto, mas correu. Em outra ocasião naquele ano de 1943 seu pai tomou a decisão de sair dali, fugindo por um período em uma propriedade que tinham próximo a Cantalice, local mais retirado da casa onde moravam. Eram dias em que o dinheiro nada valia e a guerra tinha reduzido Amintore, pai de Peppe, com dinheiro guardado e uma empresa, em uma pessoa sem praticamente nada. A notícia viera de supetão. Os alemães fariam uma nova varredura na localidade. Para Peppe era tudo estranho, um medo rondava o ar, um dos seus irmãos tinha ido como soldado no front, não sabia se estava vivo, não se sabia. Medo.... No dia seguinte, depois de pegarem o que conseguiam carregar, partiram pelo meio do mato. De repente ao cruzarem uma estradinha Peppe viu um caminhão alemão destruído por uma bomba e dentro, o soldado que tinha dirigido o veículo, ...morto e ensanguentado. Aquela imagem jamais saiu da mente de Peppe. Os dias passavam tristes, e a família de Peppe improvisou um buraco num barranco, coberto de folhas, onde podiam se esconder. Restavam alguns pães que dona Cesarina, mãe de Peppe distribuía de pouco em pouco, mas Peppe era criança e reclamava, com cara de choro: --- mãe, este pão esta duro, eu não quero. E a mãe pacientemente dizia: ---mas foi o coelho quem trouxe só para você, me recomendou que guardasse para você este pãozinho. Peppe então com um sorriso, tímido pegava o pãozinho e comia, guardando o farelo ---afinal era o coelho que tinha trazido. Ah a fome de 1943!!!! Peppe e sua família tinham que comer o trevo azedo, cozido na agua e Peppe não gostava, mas o pãozinho do coelho guardado com carinho para ele, comia saboreando cada pedacinho. --- Foi o coelho quem trouxe. Falava D. Cesarina.
jaboticabal, 21 de dezembro de 2017