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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João, 869,  14882-010, Bairro Aparecida Jaboticabal SP
A NOVA VERSÃO DA NOVELA ÉRAMOS SEIS CHEGA AO FINAL Uma crítica de Mentore Conti Mtb 0080415 SP // foto internet e Globo divulgação Jaboticabal, 26 de março de 2020 A Éramos Seis readaptada agora pela Rede Globo, filmagem esta que é a 5ª versão da do romance de mesmo título de Maria José Dupré teve ou terá, o final completamente alterado em relação ao que a autora escreveu. À parte a boa interpretação dos atores, do cenário, do enquadramento de cenas, infelizmente nesta versão se destrói a estória de um livro da literatura brasileira que tem como tema central, exatamente a solidão.  No romance Lola após ter uma vida de dificuldades e depois da morte de Júlio, seu marido, cria 4 filhos e acaba sozinha em um asilo. O estilo Impecável de Maria José Dupré, demonstra como é a solidão. Em uma narrativa densa e emotiva ela descreve como uma pessoa, que lutou tanto termina em um quarto de asilo. A narrativa faz com que o leitor entre na estória completamente.  O romance termina exatamente com o tema do livro, depois de uma vida atribulada, a autora Maria José Dupré termina a obra com a palavra solidão. Na narrativa da autora, a personagem diz que sente-se quase feliz porque estava perto de Carlos a quem visita no cemitério todos os domingos levando-lhe de flores. Lola diz que não vive só, pois tem os quatro rostos risonhos dos filhos sobre a mesa do seu quarto. E que na foto que tem dos filhos eles sorriem para ela todos os dias, além de ter uma carta de Alfredo, que está na Segunda Guerra Mundial, carta a qual leu várias vezes. No romance ela sonha com Alfredo se debatendo entre as ondas pesadas e negras e sente que o último pensamento deste filho, é para ela.  Fiz questão de citar alguns trechos do final do livro não com as palavras da autora (para que o leitor busque a obra original e a leia), para se ver o quanto o final da novela, (final anunciado para esta semana) se distancia da obra original.  Na novela Lola se casa novamente com Afonso, deixa o asilo e segundo consta, reencontra Alfredo.  A permanecer esse final da novela o tema central da obra de Maria José Dupré, foi completamente destruído, uma vez que a obra tem por enredo exatamente falar da solidão, na qual muitas vezes se encontra, quem tantas vezes luta durante a vida.  Os telespectadores podem até gostar do final da novela, mas infelizmente jogou-se com uma obra literária de renome, distorcendo-a o mais possível, o que não é correto fazer.   Vários leitores poderão argumentar que a novela, com o final que vai ser dado a ela, tem um encerramento mais leve, principalmente nos dias de hoje, onde a nossa população está cansada de tanto problema. Oras uma obra literária tem a sua finalidade de fazer o leitor refletir, e se a própria Maria José Dupré teve a intenção de falar sobre a solidão de uma mulher no final de sua vida, não cabe a ninguém, desvirtuar o tema trabalhado pela autora.  Se o autor da novela quisesse fazer uma obra com final feliz, fizesse uma obra própria. Existem incontáveis temas felizes a serem abordados, ou mesmo se quisessem adaptar uma história com final feliz, existem vários romances com finais felizes a serem adaptados. Por que destruir uma obra da literatura brasileira?  Eu sei que em tempos de Facebook, de sorrisos “Facebookeanos” para me referir as fotos, onde todos devem aparecer sorrindo, uma obra como Éramos Seis, que tem exatamente esse título para frisar a solidão, na qual fica a personagem, não é a mais adequada para um enredo televisivo. Se assim se pensa, por que usar uma obra dessas e destruir-lhe o final? Um dos patrimônios de uma nação é a sua literatura, e é através dela, que se retratam momentos e pensamentos de um país, ou se analisa o comportamento humano. Ainda que se fale que a obra apresentada na televisão é uma adaptação livre, esta liberdade não pode destruir, desvirtuar a obra original.  Como disse acima, existem vários outros temas a serem escolhidos ou vários outros livros com finais felizes a serem adaptados. Alguns leitores poderiam argumentar que o leitor não gostaria de um final melancólico. Oras, se não gostassem de um final melancólico, este romance não seria lembrado como vem sendo lembrado desde a sua primeira publicação. O leitor, o expectador, entende sim muito bem obras complexas e com finais melancólicos, desde que bem escritas como fez Maria José Dupré.  Ao se adaptar um livro denso como Éramos Seis, de Maria José Dupré, um mínimo respeito se deve ter com a obra, ou será que neste país não se respeita nem mais a cultura de um povo e a sua literatura? Chegamos a este ponto? A  novela Éramos Seis, transmitida pela Rede Globo é escrita por Angela Chaves e foi baseada na novela original escrita por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, que foi livremente inspirada no livro de Maria José Dupré. A direção artística é de Carlos Araújo.