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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
A CRISE POLÍTICA DE HOJE E O BRASIL DE SEMPRE Jaboticabal, 19 de junho de 2020 Estamos vendo atualmente depois de um ano e meio do governo de Jair Bolsonaro, que rompeu com a linha dita de esquerda, que vigorava desde a posse de Fernando Henrique Cardoso, uma crise que parece descomunal. Muitos tentam imputar ao atual presidente e aos seus apoiadores, uma linha de fascismo. Já os apoiadores de Jair Bolsonaro imputam ao governo que saiu e a todos os governos que o antecederam desde FHC, uma linha socialista (nos moldes da criação do marxismo desde o final do século 19 na Europa).  Na realidade antes de definir o atual governo como o governo de direita e o governo anterior como o governo de esquerda, é necessário voltarmos aos estudos dos sociólogos brasileiros, dos quais nesse artigo, vou me referir a três que eu tenho como os que mais chegaram próximo de explicar, a organização política brasileira atual e de outros períodos. Falo aqui de Gilberto Freyre e seu livro Casa Grande e Senzala, Sérgio Buarque de Holanda e seu livro Raízes do Brasil e ainda Darcy Ribeiro em Sua obra O povo brasileiro. Para tentar entender o atual momento do país e outros momentos da sua história é fundamental a leitura destes autores, ainda que depois se analise a situação com outros autores também existentes.  Na realidade ao lermos Casa-Grande e Senzala vamos perceber que o governo de Jair Bolsonaro, não se assemelha nem um pouco ao fascismo italiano, ou Nacional socialismo (Nazismo) alemão. Na realidade o governo Jair Bolsonaro. Assim como tantos outros governos federais que já passaram, estaduais e municipais que ainda estão aí, repete-se a forma de governo criada no Brasil Colônia, desde os primeiros capitães-donatários que tivemos.  Neste ponto Gilberto Freyre nos explica que o poder político no país, na colônia de então do século 16, era uma extensão do Poder da casa grande.  O capitão donatário, O Fazendeiro que Detinham o comando nas grandes lavouras que foram implantadas aqui, durante a colônia, criaram um patriarcado e as câmaras municipais, que representavam um poder real da Metrópole, eram dominadas por esses senhores proprietários como se uma extensão da casa deles fosse (da Casa Grande). . Em seu trabalho Gilberto Freyre nos escreve que: “Vivo e absorvente órgão da formação social brasileira a família colonial reuniu, sobre a base econômica da riqueza agrícola e do trabalho escravo, uma variedade de funções sociais e econômicas. Inclusive como já insinuamos a do mando político: o oligarquismo ou nepotismo que aqui Madrugou, chocando-se ainda em meados do século 16, com o clericalismo dos Padres da companhia (Companhia de Jesus –Jesuítas). Gilberto Freire cita ainda que desses senhores que se tornaram grandes proprietários no país, então uma colônia de Portugal, não tinham um amor pela terra nem mesmo pela sua cultura.   Ao compararmos então o atual governo Jair Bolsonaro e o seu apego à proteção dos seus filhos, de modo exagerado e a ânsia de colocá- los em cargos de comando ou coisa similar, vamos ver, a repetição do que era o poder no Brasil colonial desde o início do descobrimento e não a formação de um governo fascista ou nazista que seja.  Na realidade não é apenas Jair Bolsonaro que age desta forma, vimos também na época do Governo Lula, como aquele presidente ajudou a sua família, seus filhos, colocando-os no meio da administração pública, direta ou indiretamente. O mesmo ocorreu com José Sarney, no âmbito Federal e ocorre ainda com a família Sarney no estado do Maranhão. Mas não é só no Nordeste e no norte do país que isso acontece, no sudeste também, vemos prefeitos e mais prefeitos agirem com nepotismo e criando muitas vezes uma oligarquia.  Por mais que muitos políticos e jornalistas e analistas políticos gritem pela necessidade de democracia, e que a democracia é um valor a ser preservado no país, temos que lembrar nesse ponto o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda quem Raízes do Brasil.  Este autor cita textualmente que apesar do brasileiro falar em democracia ele busca sempre criar um poder personalista contra outro poder Personalista. Este autor nos ensina que É frequente imaginarmos os princípios Democráticos e liberais, em realidade lutamos por um personalismo contra outro.  Quanto a briga que vemos atualmente entre grupos que acusam Bolsonaro de fascista e grupos bolsonaristas que acusam a oposição de comunista, Sérgio Buarque de Holanda nos explica que o fascismo no Brasil mesmo quando institucionalizado pelo integralismo, gerou um movimento que cujos temas, se tornaram no Brasil pobres Lamentações de intelectuais neurastênicos. Ocorreu com eles coisa semelhante do que aconteceu com comunismo no país. No Brasil segundo Sérgio Buarque de Holanda o comunismo está mais próximo e uma mentalidade anarquista do que a disciplina rígida de Moscou (referindo-se então ao poder comunista instituído na época em que escreveu).  Como descrevi em outros artigos o brasileiro não se agarra a legislação, agindo de improviso, alheio ao que prega a regra oficial.  Darcy Ribeiro nesta linha, nos ensina que o brasileiro vivendo na colônia, numa realidade diferente a da Metrópole portuguesa, era obrigado a buscar soluções próprias, ajustadas a sua natureza e agindo longe das vontades oficiais, a ação do Colono assim desenvolveu- se quase sempre improvisamente ao sabor das circunstâncias.  Colocada estas linhas destes sociólogos brasileiros, vemos claramente como na realidade a crise em que nos encontramos hoje, continua como já tinha falado acima, sendo um reflexo da nossa formação, lá no início da colonização.  Mesmo o Supremo Tribunal Federal na votação de ontem sobre a FakeNews, teve um único voto dentro do que determinam as leis brasileiras, ou seja, o voto do Ministro Marco Aurélio de Mello que disse com acerto, que o inquérito das fake News não está dentro da tradição jurídica brasileira e da lei brasileira. Os demais ministros agiram como disse Darcy Ribeiro, criando um improviso para justificar um ato do presidente daquela corte, que determinou a abertura de um inquérito, sem a participação do Ministério Público, como determina a legislação vigente. Não estamos aqui a julgar se o Supremo Tribunal Federal, agiu certo ou errado mas apenas a constatar que mais uma vez, repetiu-se na decisão do Supremo Tribunal Federal os princípios que sempre nortearam o povo brasileiro como bem explica o sociólogo Darcy Ribeiro.  No caso do fenômeno da rachadinha, costume do subordinado, em um gabinete político, de devolver parte da verba a quem o nomeou, vamos ver que este fato corriqueiro no Brasil e não apenas praticado por políticos do Rio de Janeiro, inclusive ao que tudo indica, Flávio Bolsonaro, é mais uma vez a repetição do poder pessoal e que se colocava acima do interesse público, instaurado no Brasil Colônia. Esta forma de domínio que se repetiu no Brasil Império, não foi erradicado no Brasil atual, como vamos entender ao ler em toda obra de Gilberto Freyre.  Na questão dos jagunços ligados a políticos, jagunços estes hoje chamados de milicianos, vamos a volta do poder que existia até a Revolução de 30, quando Getúlio Vargas combateu o jagunço usando da Polícia Militar que ele criou na época. Essa questão abordarei de maneira mais minuciosa em um próximo artigo quando será necessário analisar inclusive obras literárias, como Grande Sertão Veredas de João Guimarães Rosa, alguns romances de Graciliano Ramos além obras de sociólogos que falam sobre o assunto. *Mentore Conti além de Jornalista é advogado e professor de Historia
fotos: facebook do autor e EBC e dominio público
Mentore Conti Mtb 0080415 SP
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