Home Música Noticias Literatura Contatto Serviços Pagina 8 Livros Outros...
Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
AS MILÍCIAS NO BRASIL Jaboticabal, 20 de agosto de 2020 Nestes últimos meses estamos acompanhando as notícias do Ministério Público do Rio de Janeiro, que investiga Fabrício Queiroz, assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual naquele estado. Entre as acusações, estão a proximidade de Queiroz com grupos de Milícias e as “rachadinhas” de salário de funcionários do gabinete do então deputado Flavio Bolsonaro, onde trabalhava Queiroz.  Neste artigo vamos falar sobre as milícias. Depois dessa investigação muito se fala em Milícias e como as milícias têm atuado no Rio de Janeiro, vendendo proteção para comerciantes de determinadas áreas daquele estado, ou mesmo para, empresários que desejam uma segurança maior para o seu empreendimento, na sua residência ou seu cotidiano. Estes empresários e comerciantes, ao invés de contratarem uma empresa de segurança legalizada, contratam pessoas que viram guarda- costas seus. Na última sexta-feira dia 14, vimos, constatamos, que não apenas empresários contratam milicianos. Três mulheres foram presas em Embu das Artes, São Paulo por quê contrataram criminosos para que eles executassem o marido de uma delas, que não queria pagar pensão alimentícia, nos moldes que sua ex- mulher queria. Para atrair a milícia ela disse que ele teria mexido com o filho dela. Nesta segunda-feira dia 17 de agosto, a polícia civil de Dumont encontrou o corpo de Ezequiel Loiola dos Santos, vítima de criminosos que se reuniram para executá-lo, porque ele seria suspeito de ter molestado sua própria filha, menor de idade. Estes assassinatos, como o de  Embu das Artes em São Paulo, ou em Dumont, por quadrilhas (que a imprensa denominou de tribunal do crime, muitas vezes ligadas à facções como PCC SP,  ou Comando Vermelho RJ), e as milícias que cometem o mesmo tipo de barbaridade além de outros crimes, são na realidade, variantes de uma prática,  quee no Brasil foi conhecida durante muitos anos até o governo Getúlio Vargas, como jagunços. Os jagunços estavam a serviço de proprietários rurais geralmente, para defender esses proprietários contra adversários políticos, desafetos e inimigos, e eram recrutados entre os pistoleiros que vagavam em várias cidades do país. No sudeste este tipo de criminoso, foi chamado jagunço, principalmente em Minas Gerais e no nordeste eram chamados cangaceiros. Este tipo de malfeitores existiu inclusive aqui na região, como o Camisa de Couro que vira e mexe estava em Jaboticabal, o mesmo Dioguinho que além de pistoleiro e jagunço era oficial de justiça e agrimensor. Dioguinho praticou crimes no interior do Estado de São Paulo e que foi morto às margens do Rio Mogi Guaçu em um tiroteio com um grupo de policiais que o perseguiam. Ao lermos a obra de João Guimarães Rosa, verificamos a conivência entre a sociedade de então e esses jagunços e cangaceiros. No livro Grande Sertão Veredas, o personagem Riobaldo, um jagunço que narra a história, define sertão como um local onde o criminoso vive seu Cristo-Jesus arredado do Arrocho de autoridade. O escritor conclui: o sertão está em toda parte.  Com esta definição literária o autor nos ensina como Aquela violência do final do século XIX e começo do século XX, no Brasil, sempre esteve em toda parte. Se nós compararmos com a violência de hoje nós veremos que o costume, o mau costume, dessa conivência entre milícias e parte da nossa sociedade, como já citei acima, não é outra coisa senão a figura do jagunço, modernizado e agora com outro nome. Parte da sociedade não só tolera a criminalidade ou jagunço, miliciano que seja, como também deseja a assistência desse tipo de criminoso, no seu dia-a-dia para sua proteção.  Como na época, a quadrilha de jagunços acaba recrutando alguns policiais, policiais estes que não honram o seu uniforme e a sua obrigação legal. Quando um prefeito acaba querendo usar indevidamente a guarda civil municipal, como sua guarda pessoal, criada a partir dos anos 90, ele não está sendo nada mais nada menos do que um senhor de jagunços, já que desvirtuam a lei para ter a seu favor um grupo armado particular.  A polícia no Brasil deve estar sempre muito atenta pois graças a esse mau costume que parte da população brasileira têm, não é difícil que vários integrantes seus sejam cooptados para integrarem Milícias, na realidade o fenômeno não é novo como vimos, mas deve ser erradicado em nossa sociedade.  A erradicação deste tipo de conivência entre crime e parte da sociedade é dificílimo, existindo também em outros países, com algumas diferenças peculiares.  Na Itália por exemplo existem quatro máfias, (a 'Ndrangheta, a Camorra, a Cosa Nostra e a Sacra Corona Unita), mas a diferença é que elas agem na sombra, de modo violento também, mas o mais possível às escondidas.  O jagunço ou miliciano no Brasil, se expõe mais por que faz parte das milícias, dos jagunços, o mostrar poder na região que atuam. Mostrar a violência para-militar para adquirir de prestígio e poder, como na época da velha República (1899-1930), é muitas vezes, o lado que mais interessa (igual à um grupo terrorista).  No Brasil este fenômeno não é exclusividade de caudilhos ou da Direita, ou seja, nem mesmo a esquerda deixa de criar grupos de jagunços. No país, muitos grupos de sem terras, depois de ser formado nos anos 80, passaram a ser o braço armado de partidos de esquerda, muitos destes grupos incluíam até mesmo, campos de Treinamento.  Para terminar esse tipo de violência é necessário todo um trabalho educacional uma recolocação da matéria educação moral e Cívica, nas escolas e um trabalho educacional com  o qual a população deixe de fazer glamourização deste tipo de criminoso.  Não é raro nós ouvirmos na televisão erroneamente referências aos criminosos que matam desafetos, chamados de tribunais do crime. Tribunal é a instituição utilizada por um estado constitucional para julgamento de processos legais.  Portanto não há tribunal do crime o que existe é uma súcia de malfeitores, matando para quadrilhas ou a pedido de indivíduos de parte da população a matar desafetos. A imprensa muitas vezes se refere ao local de uma quadrilha, como quartel general da quadrilha, quando na realidade quartel-general ou quartel é utilizado apenas para forças legais.  O criminoso tem covil, o bando tem covil, local onde eles se reúnem para tramar crimes. A imprensa muitas vezes quando um traficante é preso porque ele chefia um grupo criminoso, uma quadrilha, denomina este preso de gerente do tráfico de drogas. Gerente é utilizado para empresas, lojas, instituições organizadas de modo legal.  Quem comanda uma quadrilha é um quadrilheiro, se é uma quadrilha que pratica tráfico de drogas é um traficante, se é uma quadrilha que rouba é um ladrão, não passando disto e deste modo devendo ser chamado.  Assim ou nós começamos a mudar a mentalidade de parte da população que é conivente com este problema, ou continuaremos no sertão, que como escreveu Guimaraes Rosa, que está por toda parte, com seus jagunços e criminosos, e hoje se infiltrando em vários partidos de várias ideologias e chegando, muitas vezes, muito próximo ao poder, como vimos no Rio de Janeiro.
fotos: facebook do autor e EBC e dominio público
Mentore Conti Mtb 0080415 SP
Para ler em Smartphones gire seu aparelho na horizontal
Home Música Noticias Literatura Contatto Serviços Pagina 8 Livros Outros...
Cronica e arte