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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
O CORONAVÍRUS E A IMPRENSA Um artigo de Mentore Conti Mtb 0080415 SP // foto EBC Jaboticabal, 21 de março de 2020 O Brasil e os demais países passam por uma crise de saúde como não se via há muitos anos, mas temos que começar a analisar até que ponto, além da crise que é gravíssima, nós não estamos tratando do assunto de tal maneira que, estamos criando pânico na população. Ninguém nega, muito menos o site Crônica e Arte, a necessidade de informar como a população deve se proteger do coronavírus, mas nessa questão existem dois problemas, um já antigo, que é o sensacionalismo da imprensa e o outro, que é um desafio que nós temos atualmente, ou seja, as notícias veiculadas na internet.  Em relação ao sensacionalismo da Imprensa um exemplo Impecável sobre a questão é o filme de 1951. “A Montanha Dos Sete Abutres”, filme em Branco e Preto, estadunidense, estrelado Kirk Douglas, Jan Sterling e Robert Arthure e com o título original “Ace in the Hole”.  O filme de 111 minutos de duração e com direção e produção de Billy Wilder, o repórter Charles Tatum, dispensado de onze jornais, por ser um mau jornalista, chega a um periódico na cidade de Albuquerque, no Novo México, Estados Unidos, em busca de um emprego e uma notícia que o faça decolar novamente na carreira.  Depois de empregado no jornal, Charles Tatum em uma viagem que fez para cobrir um evento, fica sabendo que um explorador de cavernas ficou soterrado, mas ainda está vivo. Charles Tatum vê no episódio a grande possibilidade de realçar sua carreira novamente. Nesse ponto do filme o personagem não se importa com a gravidade da questão, da vida de Leo Minosa, que está soterrado, pensando apenas nas manchetes que começa a enviar para o jornal. O sensacionalismo é tão grande que ele acaba atrasando o resgate em uma semana para render mais notícias, atraindo rádios e televisões. Até mesmo um parque de diversões é instalado do lado de fora da caverna que desmoronou. A situação do personagem, Leo Minosa, o explorador de cavernas soterrado, começa a ficar cada vez mais grave, mas isso pouco importa a Charles Tatum, que apenas quer as manchetes e as notícias e somente no final um rasgo de sensatez atinge Charles Tatum, mas era tarde demais. Quando Leo Minosa morre, Charles Tatum em uma das cenas finais do filme, vai sobre a montanha e anuncia todos, que não adianta fazer mais nada pois o circo acabou. Este filme estrelado por Kirk Douglas em certa medida é exatamente o que a imprensa e a internet estão fazendo em relação a pandemia de coronavírus. Assim como no filme, estava em jogo a vida de uma pessoa com a qual o repórter pouco se importava, atualmente durante a pandemia que atingiu vários países, incluindo o Brasil, o risco de vida de Inúmeras pessoas, parece ser menosprezado por muitos jornalistas, que estão apenas querendo encher os jornais com suas manchetes estrondosas e alarmantes. Do mesmo modo como no filme ele envolveu a pequena cidade, hoje jornais e mais jornais envolvem até governos no pânico geral. Muitos médicos por causa das perguntas feitas, em vários jornais, repetem o que o repórter quer ouvir, aumentando ainda mais a histeria, histeria que se está instalando, ou já se instalou na população. A tranquilidade com qual números médicos deveriam falar, é substituída com mensagens que mais causa o pânico do que qualquer informação válida e necessária.  Se isso não bastasse para aumentar o problema, nós temos atualmente a internet e as redes sociais. Há muito tempo as informações são veiculadas não só com jornais e telejornais, mas por sites dos mesmos jornais e telejornais, jornais online e ainda vários canais que não são jornais, nem no formato e nem legalmente falando (quando se trata de um CNPJ e de ter um Jornalista responsável). Cada vez mais, blogs de influenciadores, mensagens de WhatsApp e pessoas, supostamente com autoridade no assunto vem falar o que fazer ou deixar de fazer e qual o perigo que existe na epidemia.  Que a epidemia é perigosa todo mundo já entendeu, ao menos acredito nisso, mas esses influenciadores e pessoas que postam esses vídeos, parecem que fazem questão de pregar o terror sobre o sistema sanitário. Neste ponto é interessante lembrar Umberto Eco, professor e escritor italiano, que nos anos 90 trabalhou com semiótica e que a cerca de 6 anos atrás, em algumas palestras e entrevistas tratava do problema da difusão de notícias e o número excessivo de informação, onde muitas vezes não se tem uma fonte segura. Ao contrário do que ocorria antes do Advento da internet, quando os assuntos eram tratados com certo cuidado por pessoas, que realmente tinham autoridade para falar sobre a questão, hoje sites e mais mais sites, canais do YouTube, vídeos de WhatsApp circularam na net, ou como se diz, viralizam. Nestes canais e vídeos, pessoas que se dizem médicos, psiquiatras e autoridades da área de saúde (mas cuja especialidade não conseguimos confirmar), em termos acadêmicos, falam sobre o perigo da epidemia.  Essas pessoas não tem um mínimo de cuidado ao mencionar as questões que mencionam e ao contrário de um professor universitário da área de saúde, de um médico responsável, não se preocupam em passar realmente o que acontece, apenas espalham pânico. Existe realmente a liberdade de informação, mas esta Liberdade não pode deixar de lado a responsabilidade de uma pessoa que diante de um microfone, em um vídeo ou um post e sem competência, fale sobre uma questão séria, uma pandemia provocada por um vírus que sofreu mutação e se tornou altamente contagioso.  A brincadeira que estão fazendo em WhatsApp, YouTube é descomunal e nem mesmo o roteirista do filme que citamos acima, imaginou tamanho inferno na divulgação de notícias.  Cabe agora tentar analisar qual vai ser o resultado do bombardeamento que a população sofre com esse excesso de notícias, muitas vezes por pessoas não autorizadas no assunto.  Pânico? Neurose? Tudo isto deve ser analisado. Aqui não estamos falando apenas de fake News, mas estamos falando de notícias verdadeiras, passadas por pessoa que não sabem passar uma notícia e fazem isto causando terror no ouvinte ou no leitor.  O Professor Umberto Eco naquelas palestras, disse que a única saída para esta questão e analisar todas as informações semelhantes, para tentar fazer uma média e saber o que realmente ocorreu.  Ele mesmo dizia em 2014, portanto há 6 anos atrás, que com a internet não haveria outra saída a não a análise de várias notícias iguais para filtrar o que realmente ocorreu, sem o pânico ou exagero de cada informação. A única coisa que podemos fazer é manter o cuidado em relação ao que o coronavírus pode causar e evitar correr atrás do sensacionalismo barato em relação a pandemia existente.
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