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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
A VIOLÊNCIA GLAMURIZADA E ACEITA NO BRASIL Um artigo de Mentore Conti Mtb 0080415 SP // foto Crônica e Arte Jaboticabal, 12 de março de 2020 O Batalhão de ações especiais da polícia resgataram de um covil em Ribeirão Preto, na tarde desta segunda-feira dia 10, um homem que seria executado por criminosos de uma quadrilha que o acusavam de estupro. O covil foi encontrado na Rua Silveira Martins na favela do Brejo naquela cidade.  A polícia militar recebeu a denúncia e ordenou a operação. Ao chegarem ao local, três criminosos saíram correndo do covil que estava trancado, sendo necessário o arrombamento. Com o arrombamento encontraram um homem com vários ferimentos. A vítima tinha sido sequestrada pelos criminosos desde este último domingo e que ia ser morto pelos jagunços, que o acusavam de estupro, que ele nega ter cometido.  A vítima foi socorrida até o pronto-socorro e a ocorrência foi registrada para apurar os crimes de sequestro e cárcere privado e de associação criminosa e tortura. Caro leitor como o senhor está percebendo em momento algum eu menciono, como em outros jornais, que tenha sido um tribunal do crime, uma vez que, tribunal é reservado para uma instituição legalizada do Estado, com juiz concursado e para funcionamento de Tribunal do Júri dependendo do crime e sempre dentro do que determina o código penal e o código de processo penal. Quando encontramos um bando de pessoas que o crime de Justiça pelas próprias mãos a pedido da quadrilha ou a pedido de algum particular, parente de vítimas ou não, nós temos na realidade a figura do jagunço ou capanga, como era conhecido no sudeste ou do cangaceiro como era conhecido no nordeste.  Na realidade estes bandidos não promovem Justiça alguma, mesmo que tenham sido chamado por parentes de vítimas de crimes, eles sempre serão jagunços, ainda que na linguagem de hoje o nome jagunço foi substituído por Miliciano, para ficar mais sofisticado ou mais glamourizado. Não se engane em caros leitores quando se fala em jagunço, não há ideologia e infelizmente, parte da população brasileira é favorável ao jagunço.  Essa parte da população inclui pessoas da esquerda e da direita, não obstante que alguns defensores da esquerda queiram atribuir à direita, a conivência com as milícias. O jagunço, hoje chamado de miliciano é bem descrito pelo nosso escritor João Guimarães Rosa no livro Grande Sertão Veredas.  A origem de parte da população brasileira, gostar de ter um jagunço não é fácil descobrir. O protecionismo que esta parte de brasileiros, busca em bandoleiros vem de longe, talvez da primeira metade do século XX.  Infelizmente parte da população brasileira prefere apoiar-se em criminosos do que recorrer as forças policiais. Um exemplo deste comportamento nós temos retratado por outro escritor ou seja por Graciliano Ramos que no livro Vidas Secas descreve em uma das cenas a conversa entre Fabiano é um retirante e o soldado Amarelo.  Nessa descrição de Graciliano Ramos mostra como o brasileiro desconfia do Estado, da polícia, representada na cena pelo soldado Amarelo (aliás chamado soldado amarelo por causa da roupa caqui que a polícia militar usava quando foi constituída por Getúlio Vargas, ainda da década de 1930). Quando muitas vezes se lê, na própria imprensa que eleva um covil com criminosos executando pessoas, como se juízes fossem, a tribunal do crime nós podemos perceber o quanto mesmo uma imprensa com jornalistas independentes, estudados, tem uma certa reverência com esse tipo de criminoso, que é o jagunço.  No Brasil a criminalidade é muito enaltecida e permeia vários setores sociais. A atuação criminosa facilmente pode ser vista patrocinando escolas de samba, associações de caridade (com a conivência de parte da população.  Vemos frequentemente parte de brasileiros que falam, sempre sem constrangimento algum, que recebem assistência de criminosos e sem constrangimento algum dizer que o criminoso presta melhor assistência melhor do que o próprio governo.  De fato o estado brasileiro há muitos anos, há mais de 30 anos, deixa a desejar em termos de serviços em todos os setores. Existe ainda toda uma corja de gente que quer fazer da Assistência Social, um meio para dominar o eleitorado, fato que tinha sido combatido durante a Revolução de 30 com o governo de Getúlio Vargas.  Mesmo com essa deficiência do estado brasileiro, esta parte da população brasileira, se integrando aos demais brasileiros, deveria exigir que o governo funcionasse bem. Deveriam exigir que se trocassem os governantes que não prestam, ao invés de enaltecer político e mais políticos que roubaram e saquearam o país, enaltecendo-os como os grandes heróis fossem.  Até quando eu ouvir da boca de jornalistas, sociólogos, professores, palavras de elogio para condenados por corrupção? Será que nós continuamos com a mentalidade de conviver com degredados, como foi no início da colonização? Portugal na época não teve muita escolha, pois não dispunha de cidadãos português o bastante, que quisessem vir enfrentar toda uma selva e 600 tribos de índios que habitavam o país.] Para o início desta colonização então, Portugal lançou mão de degredados de pessoas condenadas em Portugal e que eram jogadas aqui para começar a criar toda um ambiente propício para a chegada de mais portugueses. Mas este fato assou e nós não devemos continuar repetindo o costume de conviver amigavelmente com criminosos como se eles fossem os grandes heróis? Não podemos continuar tendo parte da população que contrata serviço de jagunço para matar um desafeto, como ocorreu provavelmente em Ribeirão Preto nesta última segunda-feira, pois em geral quando esse jagunço age é porque algum parente da vítima pediu ou o avisou.  Não adianta nós sonharmos com um país melhor com presidente, alinhado com a direita ou esquerda, se parte da população brasileira comete esse erro de conviver com criminosos amigavelmente, como se gente boa fosse. Neste ponto devemos lembrar Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas: “E mesmo quem de si ele ser jagunço se entrete, já é por alguma competência entrante com o demônio”.  Muito da nossa violência é culpa dessa parte de brasileiros que ao invés de querer, que o Brasil funcione quer se arranjar e ganhar proteção de qualquer jagunço, como se fazia antigamente, com Dioguinho; Camisa de Couro; Virgulino Ferreira da Silva (Lampião); Corisco e tantos outros jagunços que existiram no país antes da revolução de 1930.
foto1 lampião; foto2 camisa de couro em um bar com a arma- a esquerda na foto; foto3 Dioguinho; foto 4 Corisco
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