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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
A COVID 19 E O CENÁRIO POLITICO Um artigo de Mentore Conti Mtb 0080415 SP // foto Crônica e Arte Jaboticabal, 6 de maio de 2020 Uma população sem emprego, com pouco dinheiro, empresários enclausurados com suas lojas fechadas, muitas delas à beira da ruína, o movimento que caiu de 30 a 40% e muitas empresas, quase na miséria que bate na porta, em meio uma pandemia da Covid 19. Nesse caos vemos muitos políticos começarem a brigar e já preparar suas candidaturas para as próximas eleições, ou mesmo para as eleições de 2022. A única explicação mais próxima da realidade é o de uma briga política entre os governadores, o presidente e o ex-ministro da Justiça visando as eleições.  Por mais que se diga que Jair Bolsonaro quisesse ter influência na Polícia Federal, por causa de inquéritos em andamento, ninguém fala que a Polícia Federal, como qualquer outra polícia investigativa, age a mando da justiça e da promotoria Pública, sendo o diretor-geral, ou qualquer outro delegado, próximo ou não do Presidente da República. Portanto não há que se falar em troca de cargo para beneficiar o presidente em relação a inquéritos, pois estes inquéritos e Investigações continuariam tramitando, mesmo com delegados e diretores da Polícia Federal próximos ao presidente. Se assim não acontecesse os delegados e diretores seriam exonerados a bem do serviço público, acusados de tumultuar um processo, ou fraude processual e correriam o risco de virarem réus em algum processo. Como o Rio de Janeiro é base eleitoral do presidente e seus familiares, alguém próximo ao presidente na Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro, parece mais um ato para rivalizar com o governador do Rio, que era aliado e passou a arqui-inimigo do presidente, eleitoralmente falando. Com isto eu não estou minimizando o erro do presidente, pois mudar um delegado ou superintendente por influência politica também é errado, mas devemos ver o que realmente está acontecendo. Devemos lembrar que para eleitores fanáticos de um lado e de outro, o poder de nomear um superintendente ou diretor geral da Policia Federal, ou afasta-los, através de uma ação como fez a oposição, é um ato importante politicamente é o que Maquiavel chamaria em sua obra de marcar posição, o que eleitoralmente é importantíssimo. Mas a ideia de marcar posição numa época como esta, em que a atenção está voltada aos governantes e o que eles fazem é na visão deles, maquiavelicamente importante. De um lado o governador de São Paulo João Dória com suas entrevistas intermináveis, mas num comportamento que visa mais combater o governo federal do qual ele quer a cadeira, do que realmente salvar milhões de empregos perdidos pelos paulistas.  Do outro lado Jair Bolsonaro com seus discursos em frente ao Palácio do Planalto, tentando segurar seu eleitorado radical, com gritos contra as imprensa (ato que seu eleitorado ama). O governador do Rio de Janeiro para não ficar atrás e chamar a atenção, já fala em lokdown se a situação não melhorar. Tanto que o interesse é mais político que qualquer outra coisa, que quase nenhuma autoridade veio a público para dizer que a quarentena tinha mais objetivo de segurar a população em casa, sem se contaminar, para preparar os hospitais para receber os doentes da pandemia de covid 19. Aliás nossos hospitais há muito tempo estavam com leitos aquém do necessário. Pouca gente agora quer lembrar que há muito tempo em nossos hospitais no Brasil principalmente em cidades grandes, existem pessoas sendo atendidas em corredores. Em muitos hospitais existem médicos que tem que comprar os seus equipamentos de segurança os famosos EPIs, e até materiais de sutura, por que os governos não proveem seus trabalhadores com o necessário. E isto não é de hoje. Tanto que quer se fazer política neste período, que o ministro da Justiça, agora ex Ministro da Justiça, falando em preservar sua biografia, não usou da parcimônia que como juiz aprendeu a ter, em 20 anos de magistratura, renuncia ao cargo fazendo estardalhaço, ou seja, criando um ato político. O Brasil é um país onde se esqueceu que nas favelas é impossível se falar em isolamento, não só por causa da necessidade do trabalho, mas também porque nos diversos mocambos que existem, muitas vezes dez ou mais pessoas, se amontoam em um único cômodo. Daí a necessidade de um isolamento vertical, como já falei em outros artigos. O prefeito de São Paulo não tinha se dado conta que bloqueando as ruas da cidade, ele impediria os próprios médicos, enfermeiros, e os profissionais de outras áreas essenciais de chegarem em seus locais de serviço. A medida foi revogada em menos de 48 horas, mas ficou claro que o prefeito e seus aliados, inclusive o governador, não sabiam que em uma cidade de 12 milhões de habitantes um grande número de pessoas trabalha em áreas essenciais e o congestionamento em um sistema viário caótico, é inevitável, Mas o absurdo não fica só aí, nenhum Governador percebeu que governa estados com parte da população sendo miserável, incluindo moradores de rua e que a quarentena em muitos bolsões de pobreza vai causar mais mortes do que salvar vidas. Este fato tem acontecido na Brasilândia ou em outras favelas da grande São Paulo, que são os locais com maior índice de mortes por causa da pandemia, na cidade de São Paulo. Até parece que, contanto que ele fique dando entrevista coletiva todos os dias o resto que se dane, as cidades que afundem. Prefeitos de cidades com poucos índices de mortes nesta pandemia, como Jaboticabal, foram ameaçados de processo se não respeitassem o decreto estadual, mesmo que isto representasse a ruina de muitos comerciantes.  Governantes alheios ao que realmente acontece com a população e pensando em salvar seus cargos nas próximas eleições e o pior de tudo, não se importando se a população está no meio de uma pandemia gigantesca ou está passando fome, contanto que ele, político marque sua posição e se garanta para as próximas eleições.  Não se iludam caros leitores deste ato de ser indiferente em relação ao povo não escapa nem mesmo Sérgio Moro que não pensou duas vezes, se o povo estava faminto ou doente e saiu gritando:” Quero salvar minha biografia!” Importa mais ao Paranaense e ex-Juiz a sua biografia do que a miséria e a doença em que está o povo, se o ato não fosse político Sergio Moro teria renunciado com a parcimônia que aprendeu em 20 anos de magistratura e depois com a parcimônia que aprendeu na área jurídica, entraria com as medidas cabíveis. Ao invés disto ele provoca uma crise a mais, encolhendo também o STF, inquéritos e ações, não para ajudar o povo, mas por causa de rivalidade política apenas. Não teve ele a sensibilidade de esperar passar a epidemia para tirar as mangas de fora e marcar posição política como fala Maquiavel. Teria ele agido como sulista e simpatizante do movimento “O Sul é o meu pais”, contra os demais brasileiros? Isto mereceria um inquérito à parte. O ato de usar a crise para ganhar espaço político, já era apontada por Fernando Henrique Cardoso em 1983, quando em uma entrevista à Carlos Marchi, ao Jornal do Brasil ele diz, em relação a pergunta sobre o avanço da democracia: “Numa nova fase -  se houver novamente uma pressão de massa, Como houve na eleição de 82 (quando a diferença entre os posição e o governo foi de 7 milhões de volta) agravada pela crise econômica, pela desinteligência reinante no governo e no PDS -  seria criado uma situação política que some as duas coisas: a mobilização para a pressão da base com nossa capacidade de traduzir esse desejo numa linguagem parlamentar, de formulação de saídas, que se dá o nível do Estado. Então é possível avançar”.  Mas mesmo em Maquiavel a posição marcada por Sergio Moro e outros políticos contém erros, como trataremos em outros artigos.
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