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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
A MÁ CONSERVAÇÃO DO NOSSO PATRIMONIO CULTURAL: UMA TREGÉDIA ANUNCIADA Mentore Conti Mtb 0080415 SP // foto da antiga escola Bento Vieira no centro de Jaboticabal por Mentore Conti Jaboticabal, 3 de setembro de 2018 Um incêndio destruiu ontem, dia 2, o Museu Nacional do Rio de Janeiro. O prédio foi residência de Dom João VI e sua família e somente depois foi destinado, como sede do museu (museu tambem criado por D João VI). Assim o incêndio não destruiu somente o acervo que tinha no museu, mas sim a primeira residência da família real no país. Agora vem à tona que a instalação elétrica tinha sido trocada há 15 anos e que o prédio era gerenciado por uma universidade no rio de janeiro, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, e que somente 10% do valor que o museu precisava para a sua manutenção era colocado ali. Desta forma o incêndio é realmente a síntese do descaso que autoridades e a própria população brasileira tem com a sua cultura. O brasileiro não foi ensinado que a base de uma nacionalidade é a cultura, apesar de que o poeta português, Fernando Pessoa sintetiza bem isto na frase: “minha pátria é minha língua”. Desta omissão não escapa nem mesmo professores e intelectuais, pois o museu estava sendo administrado por uma universidade no Rio de Janeiro que na prática o abandonou. Caro leitor não pense que a tragédia do Rio de Janeiro está longe de você, um exemplo do descaso com o patrimônio público nós temos em Jaboticabal e bem no centro da cidade. Há vários anos o clube Jaboticabal e o prédio da antiga escola Bento Vieira (aquele prédio entre o SAAEJ (Serviço Autônomo de Agua e Esgoto de Jaboticabal e a escola Aurélio Arrobas Martins, O Estadão) estão abandonados. Há cerca de um ano Associação Comercial e Industrial de Jaboticabal ACIAJA, começou uma campanha para restaurar o clube Jaboticabal. O valor da restauração está orçado em aproximadamente um milhão de reais, mas segundo informações desta editoria, a campanha da ACIAJA arrecadou apenas aproximadamente R$ 50 mil reais. A campanha é baseada na doação de um percentual do ICMS, que as empresas poderiam oferecer para reconstrução do clube, ao invés de destinar todo valor do imposto devido ao governo, isto dentro da lei. Contudo como muitas empresas por força de contabilidade, fazem uma compensação entre o crédito e o débito, que tem com a receita, o valor arrecadado ainda não é o suficiente para a totalidade das obras. O site crônica e arte apurou também que esta é uma campanha praticamente solitária, (e assim me refiro porque não posso desprezar as empresas que fizeram a doação). Infelizmente nossa população e aqui, não falo este ou aquele, mas a grande parte da população jaboticabalense, tirando raríssimas exceções, pouco se interessa pelo patrimônio histórico e cultural que a cidade ainda tem. Muitos casarões na cidade foram construídos pelo engenheiro e escritor Euclides da Cunha, que além de casarões, realizou a estrada do Taboado, que começava em Jaboticabal e que tinha como destino final, o estado de Mato Grosso do Sul, na cidade de Aparecida do Taboado. O início dessa estrada é hoje a rua comendador João Maricato no Bairro Alto. O centro da cidade tinha toda uma estrutura baseada na arquitetura do início do século XX, e do auge da produção cafeeira. Com o tempo e o descaso, inclusive de autoridades, queira no incentivo à preservação do patrimônio, queira com falta de tombamentos, e muitas vezes criando uma confusão entre tombamento e desapropriação, fez com que a cidade perdesse gradualmente esta arquitetura histórica e com ela, dinheiro. Na preservação de patrimônio existem incentivos fiscais, e empréstimos com linha especial de juros, mas não só isto. Uma arquitetura preservada atrai turismo, que bem gerenciado, traz dividendos para a cidade. Mas dia a dia a cidade continua o seu ritmo e nada ou quase nada se faz pelo patrimônio que restou, tirando o trabalho solitário de alguns abnegados e teimosos historiadores e professores, além de mais algumas pessoas, que gostam em preservar a memória da cidade, mas em geral, quase nada se faz. Jaboticabal perdeu além de muitos casarões, o estádio do Jaboticabal Atlético, com a sua cobertura em etilo do início do século XX e o próprio prédio do tiro de guerra está escorado em algumas partes, para não cair. Há aproximadamente um ano este prédio do Tiro de Guerra, de um estilo da década de 40 do século XX, espera reformas e nada.... Nada! O próprio museu aqui, o antigo palácio da Turca, não está bem conservado. Os dois prédios do centro, o Club Jaboticabal e a o prédio da escola Bento Vieira, que citei antes são um símbolo, mas você leitor que lê este artigo até este ponto, é a única esperança para que o patrimônio histórico da cidade, que ainda restou seja mantido. É urgente e necessário que se crie em prol desses patrimônios, um trabalho que preserve o que restou, ampliando e apoiando as iniciativas quer já existem. É necessário e imperioso exigir que as autoridades do município também participem desta preservação. É necessário evitar, guardada as devidas proporções, que uma tragédia anunciada, como a do Rio de Janeiro ocorra aqui na cidade.
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