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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
O DISCURSO DO GENERAL HAMILTON MOURÃO E A MÁ QUALIDADE DA IMPRENSA Mentore Conti Mtb 0080415 SP // ilustração dominio publico Jaboticabal, 7 de agosto de 2018 A imprensa divulgou hoje uma frase do general Hamilton Mourão candidato a vice- presidente na chapa de Jair Bolsonaro, onde ele Hamilton Mourão teria dito em um evento na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, que o caráter indolente de parte da população brasileira, tem origem nos indígenas e que a malandragem de parte da população, tem origem nos africanos. Infelizmente grande parte dos nossos jornalistas talvez não assistiram aulas de sociologia e antropologia, queira de uma faculdade de jornalismo, ou mesmo de uma faculdade de Direito ou História e Geografia. Oras na fala do general Mourão nós podemos ver o preparo que um general tem em termos de conhecimento de ciências sociais. Se não fosse a má vontade dos jornalistas em informar-se antes de escrever, eles veriam que estas teorias usadas pelo general no discurso em Caxias do Sul são teorias usadas por Gilberto Freyre Sérgio Buarque de Holanda em sociologia e ainda por Mário de Andrade no livro Macunaíma. Antes de mais nada vamos deixar bem claro que quando se fala em termos de sociologia, não se prega preconceito, se analisa a origens de um povo, de uma nação. Em segundo lugar quando falamos em malandragem, no contexto sociológico brasileiro, não falamos em ladrões, em sem vergonhas, gente criminosa ou espúria. A malandragem sempre foi entendida como a esperteza com a qual o brasileiro médio consegue, superar as adversidades que são impostas em geral, pelas classes dominantes. Sergio Buarque de Holanda (pai de Chico Buarque) nos define a influência das senzalas no Brasil Colônia da seguinte maneira “Sinuosa até na violência, negadora das virtudes sociais, contemporizadora e narcotizante de qualquer energia realmente produtiva, a moral das senzalas, veio a imperar na administração, na economia e nas crenças religiosas dos homens do tempo” (Raízes do Brasil 20ª edição 1995, Companhia das Letras) Não vamos deixar de lembrar aqui que muitos compositores cariocas entre eles Moreira da Silva se denominavam malandros cariocas. Será que nenhum jornalista de hoje tem esse conhecimento para diferenciar um corrupto de Brasília do que se chamava o malandro carioca como se denominava o próprio Moreira da silva? Na realidade, o que geralmente não é falado é que sociologicamente, a índole de perversidade e criminalidade de parte da nossa população, não advém do indígena ou do negro, mas sim do português degredado para o Brasil no ínicio da época da Colônia. Neste período os portugueses condenados por crimes de todo tipo, incluindo estupro e homicídio, ou era jogado para viver na África, ou em caso de aumento de pena era jogado no Brasil. Como o processo educacional brasileiro, o processo de formação da nossa nacionalidade nunca foi levado a sério, por muitos governantes, nós temos hoje gente capaz de admirar candidatos, que dizem que roubam mas fazem algo na administração; gente capaz de dizer que quem é condenado por corrupção pode ser candidato antes de cumprir sua pena. Leiam nesta questão “história do Povo Brasileiro” de Afonso Arinos e Jânio Quadros Na questao do índio, é necessario reconhecer que ele nao atua no trabalho, como o negro ou o branco, se nao abandona sua cultura original. De fato o índio acostumado a uma cultura de subsistência antes da chegada do português, trabalhava estritamente o necessário para se alimentar, não acumulava e era em relação ao estágio dos europeus que chegaram em 1500, homens pré-históricos, já que o que define a história é ter uma língua escrita, o que os índios não tinham. Ássim no processo de aculturação, parte deste costume indigena passou para o colonizador. Isto não é denegrir o índio, o negro ou o brasileiro, isto é tentar entender da onde vem nossos costumes. Tanto que Sergio Buarque de Holanda que citei era de esquerda e um dos fundadores do PT, para quem diz que quem não é de esquerda quer causar preconceitos, ou denegrir parte da população. Portanto, parece que a ideia de muitos jornalistas, então, continua aquela de denegrir um determinado candidato e não de tirar do candidato o que realmente ele pensa e pode desenvolver.
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