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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
O DIA INTERNACIONAL DA MULHER Um artigo de Mentore Conti //  imagem:Pôster para Jornada Internacional das Mulheres em  8 março de 1914 8 de março de 2018 Neste dia 8 de Março nós comemoramos mais um Dia Internacional da Mulher, que de 40 anos para cá vem ganhando cada vez mais espaço em sociedade. Contudo ao conquistar este espaço, a mulher ainda continua com um dos maiores problemas do qual não consegue sair. Não me refiro aqui ao ganho de salário que em geral é mensurado como a metade do que ganha um homem para o mesmo cargo, fato nem sempre comprovado e repetido à exaustão sem maiores cuidados. Me refiro aqui a dupla jornada de trabalho, ou seja, a mulher que se torna profissional em qualquer área, quando chega em casa ainda tem que fazer todo o trabalho doméstico. Este é um problema muitas vezes silencioso e que passa desapercebido em datas comemorativas como esta. Infelizmente vemos muitos elogios muitos abraços e no final da noite, mesmo no Dia Internacional da Mulher, quando a homenageada volta para casa, muitas vezes tem os pratos para lavar.  Muitas vezes na profissão que escolhe, no dia a dia recebe elogios admiração pelo trabalho feito, como profissional e chega em casa tendo a louça para lavar a roupa para lavar e passar e assim por diante. Independentemente deste fator negativo, que a mulher ainda enfrenta, a data de hoje continua importante, pois marca um ponto com o qual criamos uma referência para lembrar que a mulher não pode estar em desvantagem em relação ao homem.  Aliás não é de hoje que a da igualdade é pregada. Santo Agostinho já em sua época por volta do ano 354-430 d C, bispo de Hipona (na atual Annaba, na Argélia) no Capítulo 1 do Livro dos bens do matrimônio, ao descrever a criação do homem e da mulher, nos ensina, citando Gênesis, que do homem Deus tirou a mulher, manifestando assim a força de União, no lado do qual foi extraída e formada a mulher. Santo Agostinho então completa que pelos lados se unem dois que caminham juntos e se dirigem ao mesmo ponto. Assim vemos, que já naquela época a ideia de Santo Agostinho era de homem caminhasse lado a lado com a mulher, o que muitas vezes infelizmente isto ainda não acontece. O motivo da fixação do dia 8 de Março, como dia internacional da mulher, se perde um pouco no tempo, não sendo verdade que esta data foi fixada por causa de um incêndio provocado nos Estados Unidos, em 1908 intencionalmente para matar operárias que protestavam por direitos trabalhistas. Na realidade não houve incêndio algum naquelas três primeiras décadas do século 20, no dia 8 de março, como diz a história contada e recontada. O único incêndio que houve de grandes proporções ocorreu no dia 25 de Março de 1911 em Nova York, na parte interna da empresa Triangle Shirt Waist Company, quando morreram 146 operários entre mulheres e homens sendo que 62 vítimas morreram tentando escapar se jogando pela janela. O incêndio foi no 8º e 9º andares do prédio, algumas fontes falam nos últimos três andares onde a empresas estava instalada. O prédio tinha 10 andares  Nesse prédio as portas estavam fechadas, com medo que os operários não saíssem antes do horário normal. O que aumentou o número de vítimas. Na realidade o incêndio que teria dado motivo ao dia 8 de março, da empresa Cotton, jamais existiu. No jornal italiano La Repubblica, em 2009 a jornalista Silvana Mazzocchi, citando o livro “Histórias Mitos e Ritos da Jornada Internacional das Mulheres, cita as notícias e reconstruções históricas do trabalho das autoras Tilde Capomazza e Marisa Ombra. Elas demonstram que a convenção comum, de que Clara Zetkin, em 1910 tivesse escolhido dia 8 de Março, para recordar as operárias Americanas mortas dois anos antes durante um incêndio ocorrido em uma greve, não tem nenhum fundamento e que na realidade a fixação desta data foi feita pela conferência internacional das Mulheres Comunistas em 1921. Que esta data esta escolhida para recordar uma manifestação de mulheres ocorrida na primeira fase da revolução russa. Outras fontes indicam que a instituição já tinha sido mencionada em 1907 durante a 7ª conferência da Internacional Socialista de Stuttgart, Alemanha. Seja como for, a data hoje continua sendo um marco importante, independente de ter sido criada por mulheres feministas de esquerda, ou mesmo conferências comunistas. Ainda que tenha sido criado um mito em cima da data, como a do incêndio que não existiu em 1908, esta data deve servir com reflexão para que a sociedade lembre da importância da mulher. Que lembre a importância não apenas como operária ou profissional, mas principalmente como pessoa o mesmo nível do homem em termos de direito. Devemos acabar com a confusão muitas vezes criada, de uma igualdade entre o homem e a mulher pelo ponto de vista biológico (em termos de força física) e de colocá-la em serviços onde o esforço físico despendido, pode prejudica-la. A igualdade principal que se deve buscar é a de direitos, muitas vezes intencionalmente pouco falada, para que a mulher continue em desigualdade em relação ao homem, como ainda vemos hoje.
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