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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
MUSSOLINI E A IMPRENSA II Por Mentore Conti Mtb 0080415 SP // foto internet Jaboticabal, 5 de junho de 2017 Mais uma vez o site Crônica e Arte traz um artigo sobre Benito Mussolini e o fascismo, a intenção desse artigo não é fazer uma apologia àquele regime, muito pelo contrário, é descrever como o populismo que teve berço na Itália fascista, pode arrastar multidões ou mesmo um país inteiro à uma catástrofe.  Se estudarmos a questão com livros que existem sobre o tema, veremos que nossos livros de história nem sempre trazem tudo aquilo que ocorreu, e que seria necessário contar, para que não se caia mais em uma armadilha com aquelas. Ao compararmos, estudarmos os métodos de Benito Mussolini veremos que muitos profissionais de marketing político usam do mesmo material criando líderes, empolgando as massas da mesma forma que Mussolini fez com a Itália de 1923 a 1945. Há 77 anos a Itália declarou guerra contra a França e a Inglaterra, mas uma pergunta muitas vezes não é respondida: como se chegou até aquela data da declaração de guerra? como Mussolini conseguiu levar o povo italiano aquele dia de euforia coletiva e depois arrastá-lo para uma guerra que terminaria cinco anos mais tarde, com uma perda enorme para o povo e a própria destruição de Benito Mussolini fisicamente inclusive. Mussolini iniciou na vida política no Partido Socialista Italiano. Professor de ensino fundamental que era, se formou em sociologia e exerceu o jornalismo, sendo inclusive diretor do jornal Avanti, jornal do Partido Socialista Italiano. Em 1923 Mussolini, rompe com o PSI e atinge o poder impulsionando seu partido fascista (criado por ele) com o método de sociologia e de psicologia de massa. Mussolini cria pela primeira vez na história um tipo de propaganda que envolveria toda a sociedade, fixando a ideologia do seu partido através do cinema teatro rádio e jornais, que eram os meios de comunicação na época.  Uma vez eleito e no poder Mussolini sabia muito bem que nem tudo se pode tratar a martelada o tempo todo e assim, implantado a ditadura fascista ele não poderia dominar o povo italiano sempre com mão de ferro, para isso então ele procura criar o que chamou governo de consenso, ou seja, o governo em que o italiano aceitava e era participe dos atos do ditador.  Para tanto Mussolini procura cooptar, aliciar os jornais, pois seriam eles que fariam e formariam a opinião pública através de notícias favoráveis e notícias que contassem o que o fascismo precisava para criar um consenso de que aquele era um governo certo, justo e necessário. Este sistema faria com que o povo ficasse do seu lado.  Assim o regime fascista procura rapidamente incentivar empresários aliados de Mussolini a criar novos jornais do norte centro e sul da Itália e também a influenciar jornais que já tinham nome e peso na opinião pública quando Mussolini começou a governar, como o Corriere della Sera por exemplo. Mussolini incorpora também uma agência de notícias com correspondentes em todo mundo a Agência Stefani de notícias que a partir de 1924 se transformou no órgão de informação e propaganda do regime fascista. A agência Stefani foi fundado em 26 de janeiro de 1853 em Turim por Guilherme Stefani, de origem veneziana e que era diretor da Gazeta oficial do reino da Sardenha. A agência foi criada com apoio de Camilo Benzo Conde de Cavour um dos mentores da unificação Italiana, junto com a casa Savoia e Giuseppe Garibaldi. Mas Mussolini não se limitou a criar novos jornais com empresários e editores que lhe eram favoráveis, mas infiltrou jornalistas fascistas em jornais já de renome não então reino italiano, como dissemos acima.  A ideia era criar ainda, uma cumplicidade entre jornalistas de renome ou não, a fim de que estes trabalhassem sempre em prol do regime criado por Benito Mussolini. Para tanto Mussolini chegou ao ponto de criar competições esportivas para jornalistas, como ciclismo, esqui e outros esportes. Mussolini criou também um Sindicato de jornalistas favoráveis ao regime e o registro de jornalista, sem o qual o jornalista não poderia atuar e tudo isto para ter a imprensa a seu favor. Mas não bastava ter o jornal a seu lado, este veículo em geral era lido pelas classes ricas e médias, era necessário também chegar ao operário e para tanto a Itália do fascismo, também trabalhou com o rádio.  Assim o mesmo trabalho que fez nos jornais fez no rádio. No rádio não somente a parte jornalística era influenciada por Benito Mussolini mas a parte musical e de entretenimento de um modo geral. Sempre para criar o governo de consenso. Mussolini chegou a pagar prêmios para jornalistas e as suas atuações aportes em dinheiro além do salário que tinham. Muitos jornalistas chegavam a ganhar 4 vezes mais do que qualquer trabalhador de outra área com o bônus que o governo fornecia.  Além deste trabalho com jornais e rádio, Mussolini no Ministério das Comunicações criou todo um departamento pelo qual passavam orientações do quê publicar ou não publicar orientações estas passadas tanto para agencia Stefani como para os demais jornais.  Estas orientações recebidas por jornalistas que estavam cooptados como disse acima eram aceitas sem discussão.  Se rescrevia notícias, os fatos eram modificados sempre visando enaltecer o regime, nada podia ser publicado que levasse qualquer mancha ao sistema de Mussolini e inclusive a crônica policial devia ser dada de modo a não demonstrar que no Estado Fascista tinha violência.   Nesse ponto devemos lembrar o romancista George Orwell e seu romance 1984, escrito entre 1947 e 1948 e publicado no ano seguinte. Neste romance o escritor tem como modelo ditador de Oceania o “Big Brother” exatamente Benito Mussolini e Hitler, outro personagem que na comunicação social seguiu a linha que tinha iniciado Benito Mussolini.  Neste romance o líder fictício “Big Brother” governa Oceania com a manipulação da história e das informações inclusive. Mussolini Manteve a imprensa sobre sua influência praticamente até ser preso em 8 de setembro de 1943 por ordem do Rei italiano, depois que a Itália tinha feito o armistício com os Estados Unidos da América. O fascismo, além de incorporar a Agência Stefani de noticias cria em 1924 o Instituto LUCE para gerar, rodar filmes e documentários a serem exibidos no cinema. Além do rádio cinema e jornal, Mussolini procura influenciar o campo da música, da ciência e todas as áreas que pudessem formar opinião.  O fascismo começou este trabalho em 1924 e depois é seguido por outros ditadores como Hitler a partir de 33, Stalin a partir já também 24, Getúlio Vargas no Brasil a partir de 1930, por exemplo. Foi com este trabalho que toda Itália, além de outros métodos, que contaremos em outra oportunidade, em 1940 entrou em euforia quando Mussolini declarou Guerra à Inglaterra e a França.  Por algum motivo esta parte da história italiana não é contada com esse detalhe e, sem este detalhe da história, passa desapercebido, por muitas autoridades, que muitos prefeitos, governadores e até mesmo presidentes usam, mesmo sem conhecimento da origem, de um método fascista de domínio da opinião pública. Hoje tantos anos passados e nós vemos ainda governantes que trabalham na mesma linha aqui no Brasil, Muito provavelmente sem saberem a origem deste mecanismo, mas sendo o mecanismo um mecanismo funcional, procuram sempre se assenhorar da imprensa, pagando, jornais, criando ou se associando a jornais ou grandes agências de notícias. O intuito desse texto não é acusar esta ou aquela autoridade do uso desses métodos, mas sim alertar que o uso de um método fascista está sendo usado até mesmo sem conhecimento de quem usa. Muitas vezes vemos esta ou aquela pessoa sendo presa por que fez Apologia da cruz suástica, símbolo do nazismo ou mesmo fez apologia de regimes fascistas, vemos prisões Skinheads por serem nazifascistas. Devemos lembrar que o fascismo e o nazismo não foram só um regime que tinha os camisas negras na Itália que puniam opositores ou as S A e SS Alemanha que também puniam opositores, sempre batendo, grupos nos quais os Skinheads se baseiam. A doutrina desses regimes totalitários, além de gerar grupos de neonazistas e Skinheads, que devemos combater também, tinham por toda uma mentalidade e método de dominação de massas que ia desde a propaganda política com o métodos usados ainda hoje, até o domínio da imprensa, rádio, cinema e demais meios de comunicação que estavam à disposição na época. Portanto além de punir como devem realmente ser punidos esses Skinheads, é necessário estarmos atentos e combater também todo governante que usa destes métodos sofisticados de dominação de massa que o fascismo e o nazismo criaram e usaram.  Ainda que funcionais em termos de divulgação nos atos de um Líder político, esses métodos tem intrinsecamente o germe do despotismo, o germe para a criação de um líder ditatorial e devem ser abolidos. A ideia de trazer este assunto é alertar para o risco, ainda existente da criação de líderes, com conotação populista de pai dos pobres, como foi Peron, Getúlio Vargas e tantos outros. Mentore Conti é Jornalista, professor de historia e Geografia e Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais