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Cronica e arte

CRONICA E ARTE  CNPJ nº 21.896.431/0001-58 NIRE: 35-8-1391912-5 email cronicaearte@cronicaearte.com Rua São João 869,  14882-010 Jaboticabal SP
A REPÚBLICA E O NOSSO POVO Um artigo de Mentore Conti // imagem Proclamação da República, 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853 - 1927). Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo Jaboticabal, 14 de novembro de 2017 Neste dia 15 de novembro o Brasil comemora a Proclamação da República que ocorreu no ano de 1889, depois que o império na época tendo como Imperador Dom Pedro II se desgastou perante a sociedade. Dentre as causas que acirraram o ânimo dos republicanos Podemos destacar duas causas principais a questão militar e a questão religiosa.  Na questão militar nós temos a punição pelo império de dois militares o Tenente-coronel Sena Madureira e o coronel Cunha Mattos  O tenente coronel Sena Madureira se se manifestou contra um projeto de lei de autoria do Visconde de Paranaguá criando uma obrigação para a contribuição ao montepio dos militares e Por essa posição o tenente-coronel foi punido isso foi 1883.  Os militares já estavam descontentes desde o fim da guerra do Paraguai. Depois da vitória do Brasil, os políticos, do Rio de Janeiro, com medo que os heróis da Guerra, ganhassem prestígio e força política, começaram a desdizer da bravura do exército durante a campanha e a minimizar a vitória. A guerra do Paraguai foi de 1864 a 1872 e o Brasil, mesmo com os militares em situação de penúria e com boicote da política cortando o dinheiro para manter as tropas, o vence a guerra contra Solano López.  Depois da punição de 1883 novamente em 1884 o Tenente Coronel Sena Madureira convidou uma das personalidades da Luta abolicionista no Ceará, o Jangadeiro Francisco José do Nascimento, que se recusava a transportar escravos em Fortaleza, a visitar a escola de tiro do Rio de Janeiro, da qual ele, Sena Madureira era Comandante.  A homenagem para um abolicionista converteu-se em nova punição, desta vez com a transferência para Escola Preparatória do Rio Pardo, na Província do Rio Grande do Sul. Com a polêmica que gerou a transferência, o ministro da Guerra Alfredo Chaves proíbe os militares de travar discussões através da imprensa e foi então que o comandante das armas do Rio Grande do Sul, General Deodoro da Fonseca, recusou-se a cumprir a ordem, sendo chamado de volta ao Rio de Janeiro.  Em 1885, no mês de agosto, em investigações no quartel da província (como era chamo o estado na monarquia brasileira) do Piauí Coronel Ernesto Augusto da Cunha Mattos descobriu que o comandante daquela guarnição era corrupto e denunciou fato.  Cunha Matos era do partido liberal e pediu a punição do oficial e o afastamento dele do partido conservador. Por causa disso, Cunha Matos foi violentamente atacado pelo Deputado Simplício Rezende, do partido conservador que acusou Cunha Mattos de covarde durante a guerra contra o Paraguai (guerra da Tríplice Aliança) A defesa do coronel foi feita também através da imprensa.  Estes acontecimentos que envolveram o Coronel Sena Madureira e o Coronel Cunha Mattos, deram origem a manifestação dos alunos da Escola Militar da praia vermelha no Rio de Janeiro. Por discordar de sua punição Sena Madureira se desliga do Exército e o general Deodoro por sua vez foi exonerado e transferido para o Rio de Janeiro. Quando os dois chegam na capital do país (Rio de Janeiro, então) são recepcionados calorosamente no dia 26 de janeiro de 1887 e são tratados como heróis pelo exército, que apoiava Deodoro. Diante dos acontecimentos, o governo recuou em punir os militares e no mês de maio Dom Pedro II demitiu o ministro Alfredo Chaves, outorgando o perdão a Sena Madureira, Cunha Matos e Deodoro.  O estrago já estava feito e essas questões acabaram por balançar com o império. Além da questão militar uma outra questão também enfraqueceu o império. Em 1864 a bula papal syllabus e depois o Concílio Vaticano I (1869 -1870) proclamava a infalibilidade do Papa e combatia, também, as ideias e instituições que defendiam a secularização e o anticlericalismo, como era o caso da maçonaria, proibido os maçons de interferirem e participarem em assuntos religiosos da igreja católica. Acontece que a constituição do império de 1824 institui o sistema de padroado, sistema pelo qual, uma legislação do Vaticano para valer no Brasil, precisava o beneplácito doo Imperador e nessa constituição os próprios sacerdotes eram tratados como funcionários públicos recebendo salários da coroa. Por causa disso o ministro Barão do Rio Branco orientou Dom Pedro II a não dar dá o beneplácito a estas ordens do Papa. O que é seguido pelo Imperador. Contudo dois Bispos acabaram agindo como mandava o Papa independente do Beneplácito do império. Em 1872 o Bispo Antônio de Macedo do Pará foi a favor do Papa e em dezembro do mesmo ano o Bispo de Olinda Vidal Maria, determina as irmandades que expulsem membros maçons das ordens religiosas, ameaçando de excomunhão quem tivesse ligações com a Maçonaria. Os dois bispos são processados por ignorarem a falta do beneplácito e são condenados a quatro anos de cadeia cada um. Depois em um acordo com o Vaticano os dois bispos são anistiados. Desta forma, o império sai desgastado depois de condenar dois bispos em uma atrapalhada como esta Como desgaste do império e o avanço das ideias republicanas 15 de Novembro de 1889 o exército brasileiro derruba a monarquia e implanta República, colocando Deodoro, mesmo doente em cima de um cavalo para marchar com os republicanos.  A data de 15 de Novembro escolhida para a proclamação da república coincide com a data e ratificação do tratado do Rio de Janeiro, quando Portugal reconhece em definitivo e legalmente a independência do Brasil em 1825. Com o advento da republica em realidade nada mudou no Brasil e como narra Machado de Assis no Capítulo 63 - Tabuleta Nova, o advento da republica não passou de uma troca de tabuletas. No capítulo o escritor narra o drama do dono de uma confeitaria com o advento da republica, chamada confeitaria do império, que não sabe que nome colocar na tabuleta nova, ou seja, se colocava confeitaria da republica, para evitar confusões, ou mantinha confeitaria do império. Vemos que o país, com império ou republica nunca conseguiu ter uma política coerente, correta que levasse o pais a se desenvolver. No Brasil a ideia do compadre por favor o amigo do rei que se iniciou na fase do Brasil colônia, passou pelo império e por todas as fases da República. Além daqueles erros iniciais que tínhamos como colônia adquirimos outros tanto na fase da república das espadas, na República dos coronéis (República Velha), depois com Getúlio Vargas e outros presidentes que muitas vezes fomentavam erros para manter o seu poder. Nestes erros é incorreto dizer que culpa destes erros vem da classe política, em parte sim, mas grande parte da população brasileira nunca teve vontade de criar algo maior que seu interesse particular e quando entra na política repete erros já cometidos e se acomoda neles tirando vantagem do que pode, a todo custo e sem escrúpulos de errar ou se cometer atos ignóbeis. Aqui, grande parte de governantes e governados ignoram princípios e leis, desde que  lhe seja cômodo de algum modo. Um exemplo simples e banal. Na área de segurança  pública a guarda municipal tem a função de guardar patrimônio e isto está na constituição  federal Art. 144. (...)§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas  à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.  E o que faz o governo e parte da população? Altera a constituição para que a guarda municipal possa fazer segurança como a PM? Não, apenas ignora tudo e faz da guarda municipal um segunda polícia militar. Por princípio, um pais se quisesse ser chamado de decente e quisesse criar a guarda municipal como ela atua hoje mudaria a constituição, e se não se faz isto é por falta de princípio e vergonha na cara. Não sou contra a guarda municipal, mas porque não alterar a constituição? Preguiça? Ou para não dar direitos de uma aposentadoria de policial militar aos guardas municipais, que se aposentarão como vigias de prefeitura e não como soldado, no sistema que está previsto na constituição? Por um ou outro motivo vemos neste caso o exemplo do porque o Brasil nos moldes em q eu está se não mudar, nunca vai se desenvolver como pretende parte da população brasileira, com republica ou império. Não basta uma mudança de tabuletas, e não se proclama uma republica como se fez aqui, porque um grupo estava descontente com uma punição dada a dois militares, ou estava descontente com uma briga entre a igreja e a maçonaria. Não se proclama uma republica imitando os Estados Unidos da América, somente mudando o nome das províncias por estado. O regime republicano é bom, sim, desde que se tenha um povo sério e que respeite os princípios de uma república. Não basta ter a república para dizer como virou moda “minha atitude é republicana, minha conversa é republicana, é necessário uma república para se governar um pais.